Chapter Text
“Ei… diga a todos… para se cuidarem… e diga que eles vão precisar de um novo cozinheiro!”
“Ei! O que aconteceu aqui?!”
“Não aconteceu nada.”
Zoro despertou ofegante, como se seus pulmões estivessem pressionados e seu coração palpitante preso na traqueia, bloqueando a passagem do oxigênio, enquanto seu corpo tremia o suor frio que parecia impregnar na pele firmemente coberta por ataduras, o que, no momento, era quase ela inteira. Pelo menos a visão dele adaptou-se rápido ao escuro e, com a ajuda da nem-tão-fraca luz das estrelas e da lua adentrando pela janela, não demorou a perceber que estava na enfermaria do Sunny, seguro.
Todos estavam seguros.
O encontro com Kuma havia sido há alguns dias, quase há uma semana, de acordo com Chopper, tanto que o próprio médico já havia dado o aval de que era seguro eles partirem de Thriller Bark sem terem que se preocupar muito com Zoro, que estava se recuperando bem.
O que era ridículo porque é claro que ele iria se recuperar, ele tinha e nenhum deles precisava preocupar-se com ele.
De qualquer forma, Chopper havia convencido Zoro a passar pelo menos as duas primeiras noites de volta ao mar na enfermaria, alegando ser mais “seguro”, sem risco de algum dos outros homens o machucarem sem querer na bagunça e, além disso, já estaria mais perto dos itens médicos caso precisasse. O que também era ridículo e um tremendo exagero, mas porque a rena podia ser muito insistente quando enfiava algo na cabeça e Zoro só queria dormir, acatou ao pedido, assim como acatara tomar os medicamentos e o chá que, supostamente, o permitiria ter uma noite tranquila de sono.
A tranquilidade acabou no momento em que imagens do ocorrido invadiram a mente de Zoro, fazendo-o acreditar estar de volta entre Luffy e Kuma, oferecendo sua cabeça no lugar da do seu capitão.
Mais especificamente, de volta ao momento em que Sanji tentara fazer o mesmo, tentara sacrificar-se por ambos, obrigando Zoro a nocauteá-lo.
Luffy estava seguro. Sanji estava seguro. Todos os Chapéus de Palha estavam, então não havia mais o que temer.
Exceto que havia.
O desconhecido estava lá fora e, o que habitava o Novo Mundo, parecia ser capaz de destruí-los se Zoro não ficasse mais forte e rápido.
A mera ideia de ver Luffy, Sanji e toda a sua nakama mortos era mais aterrorizante do que a memória de toda a imensurável dor que sofrera por Luffy.
A dor de falhar com todos eles e consigo mesmo —e com Kuina— o mataria.
Portanto, por mais que odiasse ter sonhos conturbados e acordar hiperventilando, Zoro sabia que continuaria a sofrer com pesadelos como aquele até ter a certeza de ser forte o suficiente para proteger toda a sua família de qualquer perigo e ajudar Luffy a sentar no metafórico trono no processo.
Com a respiração já mais controlada, Zoro levou ambas as mãos ao rosto, esfregando-o com força. A mandíbula tão pressionada que estava começando a causar-lhe pontadas na cabeça. E o coração ainda espremido no centro de seu peito porque a última imagem que aparecera em sua mente enquanto ainda estava com os olhos fechados insistia em permanecer, tão vívida quanto o suave sacolejar do Sunny contra as ondas calmas.
A imagem distorcida de Sanji ensanguentado e sem vida no chão.
Porque, em seu pesadelo, não foi rápido o bastante em impedi-lo de sacrificar-se em seu lugar.
Era ridículo o fato de seu peito doer a ponto de tirar-lhe o ar e fazer seus olhos pinicarem com lágrimas quentes por causa de uma mentira conjurada em um sonho.
Ele sabia que o cozinheiro estava vivo e bem, provavelmente em um sono profundo no quarto dos homens, alheio à pesada tormenta circundando a mente do espadachim. Então Zoro precisava que seu corpo entendesse isso logo para que pudesse voltar a dormir mais um pouco, já que ainda estava proibido de fazer qualquer esforço físico.
Mesmo que Zoro precisasse treinar muito mais e mais pesado se fosse ficar mais forte para proteger a tripulação.
Zoro adorava Chopper como o irmãozinho caçula que nunca teve e não havia dúvidas de que era um ótimo médico e se tornaria cada vez melhor, contudo ele não aguentaria muito mais tempo sem quebrar aquela regra ridícul—.
— Vai arrancar fora se esfregar mais forte, e aí vai ficar mais feio do que já é. — Como se convocado por pensamento, Sanji falou ao entrar na enfermaria e acender a luz, obrigando Zoro a piscar várias vezes ao tirar a mão do rosto e encará-lo. O loiro já estava de pijamas, apesar da falta de amassado ou fios bagunçados em seu cabelo denunciar que ainda não havia ido dormir. O prato tampado em suas mãos denunciava o porquê.
— Não mais feio que você, sobrancelha de arame. — Zoro resmungou de volta, sem muito veneno por trás das palavras assim como percebera que as de Sanji haviam sido.
Ele poderia culpar o cansaço de ambos por isso.
Sanji apenas revirou o olho ao aproximar-se, o braço esticado com o prato que roubou a atenção do espadachim quando fora atingido pelo delicioso cheiro do que estava ali escondido.
— Você foi dormir antes da janta, então vim te trazer um petisco pra quando acordasse com o estômago roncando, não esperava que já estivesse acordado, — disse como se não fosse nada demais, colocando o prato no colo do espadachim e escorando-se contra o final da cama, ambas as mãos nos bolsos.
Zoro arqueou uma sobrancelha para ele antes de voltar-se para o prato em seu colo, tirando a tampa de panela sem cerimônias, a baba quase escorrendo para fora da boca com a visão dos bolinhos de arroz gordinhos e de formato perfeito; o pronunciado cheiro da carne bem temperada que devia ser o recheio fazendo seu estômago roncar.
— Não ‘tô com fome, — resmungou porque já era instintivo contrariar o cozinheiro.
Um curto riso de escárnio escapou do nariz de Sanji.
— É, e meu cabelo é preto. — Revirou os olhos e tirou as mãos dos bolsos para cruzar os braços em frente ao estômago. — Só come logo.
Zoro bufou, mas fez o que foi dito, pegando o primeiro onigiri e enfiando-o na boca sem pensar, seu corpo inteiro vibrando a partir da boca quando a explosão de sabores invadiu seus sentidos, fazendo seu estômago roncar ainda mais. Os bolinhos de arroz de Sanji eram sempre tão macios que pareciam derreter na língua, o que também era bom pelo fato de caberem mais deles na boca, então Zoro não pestanejou em colocar outro e mais outro, estufando as bochechas e ignorando o comentário de “Realmente um brutamontes, totalmente sem classe” do cozinheiro logo ao lado.
Ele nunca admitiria isso em voz alta, mas as mãos de Sanji só poderiam ser mágicas já que tudo o que preparava na cozinha parecia ser a melhor coisa que comera na vida.
Enquanto mastigava tudo o que tinha na boca para poder engolir e enfiar mais, voltou seus olhos para o outro homem, percebendo que estava sendo observado de canto. Zoro franziu o cenho e engoliu uma pequena parte para conseguir falar de boca cheia:
— Vai fica aí parado me olhando?
O corpo de Sanji retesou e sua cabeça virou tão rápido para frente que Zoro não se surpreenderia se tivesse distorcido o pescoço.
— Só ‘tô esperando você terminar pra eu levar o prato, — disse dando de ombros e colocando um cigarro entre os lábios, mas pareceu mudar de ideia antes de acendê-lo, grunhindo ao guardar o isqueiro de novo.
Zoro respondeu enquanto enfiava mais bolinhos na boca:
— Pode ir, eu levo.
Sanji apenas soltou uma forte lufada de ar pelo nariz, permanecendo onde estava, com os olhos fixos na janela dessa vez.
Zoro deu de ombros e continuou comendo, permitindo que o silêncio se estabelecesse entre eles.
Aqueles momentos entre os dois eram bons. Momentos onde apenas existiam no mesmo lugar, em uma proximidade razoável, sem necessidade de conversa afiada ou discussões para ficarem confortáveis, aproveitando a impossível-de-ignorar presença um do outro. Pelo menos Zoro aproveitava, com seu coração batendo em uma velocidade um pouco mais rápida do que serena, ciente de que, por pelo menos aqueles minutos, tudo estava certo no mundo, em equilíbrio, suas costas estavam protegidas e Sanji não o odiava como tentava fazer parecer.
Diferente de como se comportavam em batalha —de como haviam demorado a aprender a trabalhar em equipe, deixando seus orgulhos e competições fúteis de lado quando necessário—, eles conseguiam co-existir naqueles momentos agradáveis de silêncio bem antes de Long Ring Long Land. Eles sentavam ao lado um do outro para comer ou participar de uma conversa em grupo, às vezes Zoro cochilava na cozinha ao som de Sanji preparando com maestria a próxima refeição; ocasionalmente quando percebia Zoro cuidando de suas espadas, Sanji aproveitava para amolar suas facas. Quando levava petiscos e água hidrogenada para Zoro de vigia ou treinando na gávea, apesar de reclamar das mínimas coisas no processo e chegar perto de causar uma briga física entre eles, Sanji costumava prolongar sua visita, parando para observar o mar por minutos o suficiente para alternar as batidas no peito do espadachim.
Zoro não ligava para romance como o ero-cook, sequer jamais pensara sobre se envolver romanticamente com alguém e, com o seu foco sempre em um objetivo tão grande, em ficar cada vez melhor e melhor para alcançá-lo, nunca passou pela sua cabeça ser capaz de ter aquele tipo de atração. Nunca se importou.
Até conhecer um cozinheiro idiota e insuportável que estava no seu nível de força, que o desafiava e tirava do sério, com quem podia contar cegamente, com quem podia deixar suas costas expostas, que fazia seu sangue queimar por diversos motivos, até mesmo quando estavam apenas coexistindo no mesmo ambiente, perto o suficiente para estarem cientes da presença um do outro, mas sem ameaças por perto ou vontade de começar uma discussão.
Sanji estava apenas ali e o corpo de Zoro vibrava de uma forma diferente, porém com a mesma intensidade de quando percebia uma luta iminente.
Na verdade, Zoro não sabia dizer ao certo o que aquilo significava, nunca dera atenção a nada relacionado a amor romântico para poder comparar e talvez não fosse nada disso, poderia ser muito bem só um tipo de respeito e admiração pelo cozinheiro, misturado ao prazer que sua “rivalidade” com ele o proporcionava, um tipo de relacionamento que nunca imaginaria poder ter de novo desde a morte de Kuina.
Zoro só tinha absoluta certeza de que não tinha nada a ver com seus gêneros secundários porque já havia conhecido e ficado perto de vários ômegas, incluindo Johnny e agora o Franky —apesar desse aspecto estar todo bagunçado nele devido às suas partes robóticas por algum motivo que o espadachim nem queria saber—, e nunca havia sentido nada diferente em relação a nenhum, nada de um “desejo ardente” ou que porcaria carnal que seja que as pessoas costumavam dizer ser “mais do que natural de um alfa sentir na presença de um ômega”. Zoro sequer tinha ideia do que poderia ser esse tal desejo já que, durante seus ruts, tinha apenas seu territorialismo e vontade de proteger aumentados.
Não, entre ele e Sanji não havia nada daquela palhaçada de “alfa e ômega”. Eles eram iguais. Eram rivais no mesmo nível. Sanji tinha seu respeito e admiração e os momentos que passava em silêncio na presença dele, só existindo ao seu lado, eram gostosos e era tudo o que bastava para Zoro.
Isso e ter a certeza de que ele estava seguro, assim como todos os seus demais nakama, enchia o espadachim com uma tranquilidade quentinha que chá algum era capaz de comparar.
E ele estava aproveitando tanto o momento, até comendo os onigiris mais devagar para maior desfrutamento, que sobressaltou-se um pouco quando o cozinheiro falou, a voz repreensiva e o olhar mais duro ainda na janela, apesar de não parecer estar vendo-a de fato:
— Você não devia ter feito aquilo.
Franzindo o cenho, Zoro mastigou mais um pouco até engolir uma parte do que tinha na boca para falar:
— Feito o quê?
O olhar duro de Sanji voltou-se para si, as pálpebras semicerradas fazendo suas íris azuis parecerem mais escuras:
— Você sabe do que eu ‘tô falando.
— Eu faço muitas coisas todos os dias, sobrancelhas, vai ter que ser mais específico.
A mandíbula bem desenhada do loiro mexeu quando ele mordeu os dentes.
— E tudo o que você faz me irrita, — declarou e Zoro poderia ter começado uma discussão sobre como as coisas que o cozinheiro fazia eram mais irritantes, porém os últimos onigiris estavam deliciosos demais e Sanji logo continuou a falar após uma bufada. — Não sabe mesmo do que ‘tô falando?
Zoro balançou os ombros, ganhando uma revirada de olhos do outro.
Então o silêncio voltou por um instante, parecendo mais profundo, tenso até.
A respiração de Zoro travou quando Sanji finalmente falou e, a cada palavra dita, mais apertado ficava seu peito:
— Não devia ter me nocauteado, devia ter deixado Kuma pegar minha cabeça ao invés de fazer o que fez com você.
Os últimos pedaços da janta desceram forçados e arranhando, beirando a amargos, na garganta de Zoro, que semicerrou os olhos de volta, a voz muito mais séria ao responder:
— Te nocauteei porque ‘cê tinha perdido a noção, cozinheiro de merda.
— Eu não tinh-.
— Como protetor dessa tripulação, era o meu dever proteger Luffy e todos vocês, aquele sacrifício era meu pra fazer!
O rosto de Sanji começou a ficar vermelho demais quando cerrou os dentes com força, todo seu corpo virando-se para o espadachim ao vociferar:
— Eu também sou protetor dessa tripulação!
— Eu sou o princip-.
— Cala a boca! Você é um idiota, é isso o que você é! E se tivesse morrido, hein? Como Luffy e os outros iriam ficar? O que seria da sua ambição? Do seu sonho? Não pode se tornar o melhor espadachim do mundo estando morto, Zoro! — Pareceu um pouco sem ar ao terminar de falar, como se tivesse corrido por horas, as veias sobressaltadas em seu pescoço e têmpora bem nítidas em sua pele branca, agora profundamente corada de raiva.
Os olhos de Zoro permaneceram bem firmes nos do cozinheiro, sua pulsação acelerando apesar de manter a respiração sob controle.
— ‘Cê acha que eu não sei? — Quase rosnou entre dentes, a voz baixa em aviso. — Mas Luffy vai se tornar o Rei dos Pirata-.
— É óbvio que sim e é por isso que ele precisa de você ao lado dele, o imediato dele!
Os olhos de Zoro semicerraram, não gostando da suposta implicação.
— ‘Tá dizendo que ele não precisa de você?
Sanji voltou a cruzar os braços, que até o momento usava para gesticular um pouco, e revirou os olhos, deixando-os fixos em direção à porta ao falar em um tom mais baixo:
— Sou só um cozinheiro. Como disse, Luffy podia achar um outro depo-aí! — arfou surpreso quando Zoro agarrou-o pelo braço e puxou-o com brusquidão, fazendo-o tombar um pouco na cama e encará-lo com os olhos abertos. — Que porra, Zo-.
— Não tem outro cozinheiro, não tem outro você além de você, por que ‘tá difícil de entender isso, cozinheiro de merda?
Sanji era o pacote completo que Luffy precisava para o papel que tinha na tripulação, ele importava por ser quem era assim como todos os outros, então não tinha sentido ele acreditar poder ser substituído como um pedaço de pano velho.
Diabos! Nem Merry havia sido substituída, não de verdade, com certeza não da forma como o cozinheiro parecia insinuar que ele poderia ser.
Só estava provando quão verdadeiramente estúpido e idiota era.
Sanji puxou seu braço com força, soltando-se do aperto de Zoro e dando dois passos cambaleantes para trás, afastando-se da cama. Seu semblante voltara a parecer irritado, mas, dessa vez, havia contida confusão no torcer dos seus lábios e em como seus olhos não estavam tão duros, mais para desfocados, como se algo não estivesse fazendo sentido para ele.
— Me chamar de cozinheiro de merda depois do que disse quebra todo o seu argumento!
Zoro soltou um barulhinho de descaso com a boca.
— Não porque é só seu apelido, assim como sobrancelha de arame, ero-cook, idiota, curly, sobrancelhud-.
Sanji grunhiu frustrado, enfiando as mãos nas mechas loiras e interrompendo Zoro em sua listagem, que soltou um curto, quase imperceptível risinho.
A forma como o topo das bochechas do cozinheiro coravam de leve em cada uma de suas discussões era só adorável demais e a forma como mordia o cigarro —ou os lábios como agora por estar com a boca vazia—, era quase que hipnotizante e fazia Zoro morder o próprio por algum motivo. Isso é, quando ele não estava com Wado na boca.
Infelizmente, Sanji parou de deixar seu lábio avermelhado e marcado com dentes para abrir a boca e falar mais merda:
— Que seja! Mas não faça mais isso. Só deixa que me matem e salve todo mundo, estou pronto pra morrer pelo Luffy.
O sangue de Zoro começou a borbulhar de uma forma que provavelmente faria Chopper entrar em desespero.
— Vai a merda, cook! Não tenho que te dar ouvidos e não vou te deixar ser a porcaria de um mártir!
— E por que caralhos você se importa, hein? Só pra querer mostrar que é melhor que eu até nisso?
— Tem nada a ver com isso, porra! Tem a ver que o que eu fiz foi por conhecer meu valor enquanto pro ‘cê foi exatamente o contrário!
— De novo, por que isso te importa?!
— Porque você importa, merda!
Zoro fechou a boca com força assim que as palavras escaparam, seus olhos arregalados tanto quanto os de Sanji o encarando com a boca um pouco aberta. O loiro havia até dado um passo para trás como se tivesse levado um chute.
E, quando o silêncio perdurou por alguns instantes, Zoro —pela primeira vez desde que o cozinheiro entrara ali trazendo-lhe sua janta—, percebeu os feromônios sendo liberados no ambiente, não apenas os seus que agora estavam dominantes e quase agressivos, o alfa tentando fugir do seu controle e subjugar o outro para que acatasse à sua vontade —naquele caso, para que parasse de se desvalorizar—, como também os mais fracos e confusos de Sanji, feromônios esses que eram quase sempre disfarçados pelo forte odor do cigarro, assim como seu aroma escondido, mas que agora estavam tão nítidos quanto o gosto de arroz e carne de Rei dos Mares na língua de Zoro. Uma perfurante mistura de inquietação, ansiedade e medo que levou o espadachim a soltar um baixo ganido do fundo de sua garganta.
Um ganido que fez seu rosto esquentar enquanto os olhos de Sanji arregalavam ainda mais.
Então Sanji desviou o olhar para o chão, fitando-o com grande interesse e quase rosnando ao dizer:
— Será que dá pra baixar a bola com essa porcaria de feromônio, seu alfa imbecil? ‘Tá tentando me sufocar ou me forçar a expor meu pescoço pra você?
Zoro quase engasgou com a própria língua com a acusação, seus batimentos pulsando mais fortes em seus ouvidos ao imediatamente começar a tentar controlar tais hormônios, pelo menos o suficiente para não sobrecarregar o ambiente.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, no entanto, os músculos de Sanji relaxaram, assim como grande parte da tensão saiu de seu semblante e ele ainda não olhava para o espadachim, contudo também não parecia mais determinado a cavar um buraco no chão com os olhos. A tentativa de amenizar os feromônios havia dado certo e Zoro percebeu que não havia mais o que ele falar, já tinha dito o que precisava e não iria desculpar-se por suas palavras, muito menos retirá-las, então apenas continuou observando o cozinheiro, percebendo que seu movimento quase automático de pegar um cigarro do bolso e colocá-lo nos lábios parecia quase enferrujado e suas longas e elegantes mãos, sempre tão firmes, estavam tremendo e pareceram tremer mais quando ele desistiu de pegar o isqueiro e fechou-as em punhos, um som frustrado escapando de seus lábios entreabertos. Mesmo não acendendo o cigarro, Sanji deixou-o na boca enquanto inspirava fundo e expirava longo algumas vezes até o tremor diminuir um pouco.
Quando seus olhos fixaram-se de súbito e afiados em Zoro, seu coração errou uma batida.
— Não sabia que você se importava comigo, — falou tentando soar acusatório, até mesmo debochado, mas foi hesitante demais e ainda mordeu o cigarro no final, naquele jeito que fazia quando estava repreendendo-se por algo.
Zoro podia mentir. Zoro podia fazer um comentário provocador. Zoro podia começar uma discussão que fugiria do tópico ao ponto de ambos esquecerem de sequer terem tocado naquele assunto.
Contudo Zoro estava cansado, seu corpo ainda doía mais do que ele jamais admitiria e há apenas uma semana a morte literalmente batera em sua porta. E ele também tinha certeza de que Sanji faria de tudo para passar o resto de suas vidas fingindo que aquela conversa nunca acontecera porque ele era um pervertido obcecado por mulheres e odiador de homens de qualquer gênero secundário, mas especialmente de Zoro, então aquilo morreria ali.
Além disso, seu coração estava batendo tão rápido e firme que tomou conta de sua língua ainda inebriada com o persistente sabor do onigiri.
— É claro que me importo, Sanji.
Sua confissão saira em um quase sussurro, seu rosto inteiro suavizando no processo, desarmando-se enquanto as batidas em seu peito ficavam mais altas em seus ouvidos e seu feromônio ainda sendo contidamente liberado, mais suave.
E, como em um perfeito reflexo oposto, o corpo inteiro de Sanji retesou-se como um gato encurralado, o cigarro quase caindo com seu rosto retorcendo-se no que poderia ser apenas descrito como pânico com seus feromônios azedando em uma ansiedade alarmante.
Não foi surpresa quando, no segundo seguinte, Sanji enrijeceu-se, neutralizando a expressão apesar de não ter sucesso em colocar o odor sobre controle, e aproximou-se da cama em passos rápidos apenas para pegar o prato de Zoro —tomando nítido cuidado de não encostar nele—, antes de virar-se e sair da enfermaria com a mesma pressa, murmurando apenas um “Preciso fumar. Vê se dorme ou eu chamo o Chopper” antes de apagar a luz e fechar a porta atrás de si com um controlado baque.
Zoro suspirou, seu corpo subitamente mais pesado do que antes.
Pelo menos ele havia assumido certo e aquilo morreria ali.
E, conhecendo o cozinheiro, ele continuaria a agir da mesma forma de sempre para evitar questionamentos dos demais, o que também estava bom o suficiente para o espadachim que não queria que as coisas ficassem esquisitas entre eles, muito menos que os outros o enchessem o saco com perguntas.
Bufando, mas ainda satisfeito com a deliciosa janta, Zoro deixou-se cair no travesseiro, ajeitando-se em uma posição confortável e semi-coberta pelo lençol, porém, ao invés de fechar os olhos e já tentar voltar a dormir —aproveitando que todo o pesadelo havia desaparecido de sua mente, inclusive o pavor que havia despertado—, ele ficou encarando o teto, enxergando apenas sombras naquele breu, focando-se no suave e esporádico movimento delas, assim como no balançar tranquilo do navio e nos sons das baixas ondas quebrando contra o casco.
Não ganhara nada com sua confissão assim como imaginara que não iria, mesmo assim não arrependia-se porque era a verdade, plena e simples, e Zoro não era do tipo de guardar as coisas para si, pelo menos não coisas que importavam ou que não fazia sentido serem mantidas.
Não duvidava, entretanto, de que Sanji assumiria —ainda mais depois do descontrole com seus feromônios— ser tudo por causa do gênero secundário de ambos, que Zoro não estava pensando com clareza, apenas deixando seu alfa hormonal falar mais alto. Contudo Zoro sabia que seria a maior estupidez de todas e não teria ressalvas em falar isso para o cozinheiro.
Que ele era estúpido.
Porque era exatamente isso o que ele era, não? Estúpido.
Além de muitas outras coisas insuportáveis que deveriam ser um repelente para Zoro.
Exceto que não eram.
Não quando Sanji também era gentil, prestativo, habilidoso, charmoso (quando não estava sendo um tarado), confiável, forte, resiliente, obstinado, seu igual em todas as formas que importavam. Sem contar que fazia a melhor comida que Zoro já provara e tinha fortes e incríveis pernas que não acabavam mais.
Considerando tudo, Zoro não podia dizer ter ficado surpreso quando percebeu sua atração pelo cozinheiro ao vê-lo dançar completamente livre e desinibido ao redor da enorme fogueira no céu de Skypiea.
É fato que havia sido eletrocutado além da conta e isso poderia ter, de alguma forma, influenciado seu julgamento no momento, contudo nunca questionara porque não parecera nada além de inevitável.
Tão inevitável quanto o fato de que nunca seria correspondido, o que estava tudo bem.
Afinal, a ambição de Zoro era grande e perigosa demais para ter qualquer coisa tão fútil quanto romance interferindo em algum nível ou grau.
Zoro sequer percebera ter adormecido até abrir confuso os olhos com um pouco de baba começando a escorrer do canto da boca, franzindo o cenho por perceber ainda estar no meio da noite, então o que poderia tê-lo acordado?
Seu pescoço estalou de leve quando virou a cabeça rápido demais em direção à porta ao ouvi-la fechar com um suave clique. A enfermaria estava muito escura, com as luzes das estrelas e da lua parecendo terem diminuído em intensidade desde sabe-se-lá quanto tempo atrás, o que diminuía a quantidade de sombras e, mais ainda, diminuia as chances de identificar qualquer elemento fora do normal. Entretanto, Zoro tinha certeza de não estar mais sozinho e, mesmo que o cozinheiro tivesse passos silenciosos como um gato, não estava fazendo nada para disfarçar seu característico cheiro de frutos do mar defumados recoberto por um forte feromônio muito doce se comparado aos que exalava antes e, apesar deste ainda ter uma pitada de ansiedade, tinha algo mais intenso e atrativo que causou uma quente agitação em sua barriga.
Zoro não disse nada, nem se mexeu e fez um grande esforço para manter seus feromônios neutralizados, caso contrário, poderia não descobrir as verdadeiras intenções de Sanji ali. Era possível que o cozinheiro pensasse ter esquecido algo e, ao perceber que não, iria embora em um instante e Zoro poderia voltar a dormir sem delongas.
Todo o odor atraente do cozinheiro quase sufocou o espadachim quando ele parou logo ao lado da cama, seu próprio calor corporal tornando-se perceptível de tão perto que estava.
Zoro travou a respiração e esperou, ciente dos olhos do outro homem em si, mesmo que tivesse fechado os próprios ao perceber a aproximação dele. Uma mão bem cuidada de dedos esguios tocou o lado de seu rosto, acariciando a pele da bochecha com o dedão enquanto os demais roçavam no cabelo e orelha, tão leve quanto uma pena, mas bastou para acelerar tanto o coração de Zoro que o ecoar dos batimentos chegava na garganta.
— Zoro… — sussurrou quase que em um cantarolar, a pressão dos dedos ficando mais firme até a palma segurar a mandíbula. O rosto de Sanji estava perto o suficiente do dele para sentir o hálito roçar seu nariz e Zoro reconheceria o cheiro de saquê em qualquer lugar. — Eu sei que você ‘tá acordado.
Zoro abriu os olhos e, mesmo naquele breu, encontrou com os do Sanji o encarando e eram os reais olhos dele; aqueles grandes e abertos que sempre carregavam um contagiante brilho ao falar sobre o All Blue, não os olhos mais fechados, estreitados forçadamente para parecer desinteressado.
Para tentar adivinhar quão confortável Sanji estava em qualquer situação, Zoro encontrava o primeiro indício no formato de seus olhos: quanto mais parecidos com os de Luffy, melhor.
Como era o caso agora.
— ‘Cê bebeu? — sussurrou de volta, a voz meio grogue, mas tentando não soar acusatório apesar do cenho um pouco franzido.
Sanji soltou um curto riso pelo nariz, seu dedo acariciando a bochecha com mais firmeza causando um arrepio na espinha de Zoro.
— Foram só três golinhos, ainda ‘tô lúcido, só precisava de um pouco de coragem.
Porque ele não estava atropelando as palavras nem falando arrastado, Zoro acreditava, afinal, um Sanji bêbado era nitidamente bêbado.
Contudo…
— Um pouco de coragem pra quê?
Os lábios de Sanji eram macios e carregavam um forte gosto de saquê ao encostarem nos seus, esmagando-os e fazendo Zoro paralisar com os olhos arregalados, fitando a sobrancelha encaracolada mais de perto, seu coração parecendo prestes a explodir em cada canto do seu corpo enquanto perdia o controle de seus feromônios que dominaram o ambiente em um segundo, respondendo aos do cozinheiro.
Entretanto, Zoro não conseguiu fazer nada a não ser se deixar ser beijado, apreciando a maciez e firmeza da boca do outro mexendo contra a sua, a mão alva puxando-o mais para perto, buscando uma reciprocidade que não vinha porque o espadachim estava estupefato demais com o fato de que Sanji o estava beijando.
Sanji bebera um pouco de álcool para reunir coragem para beijá-lo.
E Zoro só estava ali parado como um idiota.
Inevitavelmente, Sanji parou o beijo, afastando o rosto e as mãos do espadachim, seus olhos arregalados carregando tanta incerteza e vergonha que Zoro poderia se auto dar um soco no nariz.
— Eu-eu não devia… eu pensei, eu-. — gaguejou começando a inclinar-se para trás, uma das mãos entre as mechas de seu cabelo. — Esquece que isso acont-.
— Não, — grunhiu com mais raiva de si do que qualquer coisa por ter manchado o feromônio gostoso de Sanji com azedume de nervosismo e não pensou em agarrar-lhe o braço e puxá-lo de volta, segurando o rosto do loiro com ambas as mãos quando ele veio sem esforço e beijando-o como devia ter feito há poucos segundos.
Um sorriso despontou por um instante na boca do espadachim quando Sanji enfiou ambas as mãos em seu cabelo verde, puxando-o para mais perto ao retribuir o beijo sem hesitação, o cheiro azedando voltando a ser puramente doce e convidativo, o único doce até o momento que já dera água na boca de Zoro. Quando a língua de Sanji começou a pressionar contra seus lábios, ele sequer hesitou em parti-los, deixando o loiro aprofundar o beijo o quanto quisesse, o que provou ser maravilhoso e levou Zoro a enfiar a língua na boca do outro também, sorrindo ainda mais abertamente entre o beijo quando isso levou a uma pequena e prazerosa disputa entre eles.
— Você é insuportável. — Sanji resmungou ofegante contra a boca de Zoro ao parar o beijo, então puxou com força o cabelo dele, provocando uma dor prazerosa no couro do espadachim que atravessou toda a coluna.
Zoro forçou a cabeça de volta, até encostar os lábios contra a bochecha do loiro e rebater:
— E ‘cê é um pervertido.
Não tinha certeza de quem iniciara o beijo novamente, porém ele escalou mais rápido de intensidade e, quando percebeu, Sanji já estava de joelhos na cama ao seu lado e, mesmo assim, ainda não parecia perto o suficiente. Uma mão desceu para a cintura esguia, puxando-a para si enquanto a outra se enfiava ainda mais fundo nas mechas loiras, tombando a cabeça para conseguir mais acesso a boca, explorando cada canto que conseguia alcançar. Zoro poderia jurar estar saboreando aquele feromônio adocicado do cozinheiro com o paladar, o que só estava aumentando um outro tipo de fome em seu cerne e em seu abdômen inferior. Enquanto isso, as mãos de Sanji desciam do cabelo verde para as costas largas, escorregando exploratórias para os braços e então para o peito, onde ficaram e começaram a cuidadosamente empurrá-lo para trás.
Zoro soltou contrariado a boca do cozinheiro para arfar, resistindo ao empuxar em seu peitoral.
— Que ‘tá fazendo?
— Você ‘tá se recuperando, não pode fazer muito esforço.
Zoro estalou a língua em descaso, fazendo força para ir contra Sanji, para permanecer sentado ou talvez até derrubar Sanji na cama para que pudesse ficar por cima. A ideia de ter o loiro embaixo de si para que pudesse explorar e descobrir o que mais era gostoso além de beijá-lo na boca…
— Sobrancelhas-.
— Zoro, não. — Afastou o rosto para evitar a investida do outro, o ângulo do encaracolado da sobrancelha mudando ao franzir o cenho. — Se não me obedecer, vou sair daqui.
— Mas eu ‘t-.
— Irei me sentir mal se te machucar, — confessou em um tom tão vulnerável que Zoro parou de resistir, travando a mandíbula para impedir-se de soltar um comentário que de certeza os conduziria a uma discussão. Percebendo sua desistência, não demorou para Zoro conseguir notar um sorriso se abrindo nos lábios do cozinheiro em meio às sombras e, no instante seguinte, ele estava subindo em seu colo, uma perna em cada lado de seu quadril, curvando para encostar a testa na sua, ambos tentando controlar as respirações arrítimicas e pesadas. Zoro não hesitou em envolver quase toda a cintura dele com ambas as suas mãos, uma realização que fez seu próprio pau pulsar em interesse quase tanto quanto o fato de conseguir sentir o contorno já duro do de Sanji contra sua barriga. Porque é claro que aquele pervertido se excitava fácil. — Se… se quiser que eu pare, é… É só falar. — Aquela hesitação e sutilíssimo tremor em sua voz eram tão errados em Sanji que um contido grunhido reverberou no peito de Zoro e suas mãos o apertaram com ainda mais firmeza, o puxando para mais perto.
— Então continua, — murmurou quase ordenando contra os lábios inchados do cozinheiro e o barulhinho de contentamento que escapou da garganta dele encheu o peito de Zoro de orgulho.
Um orgulho de alfa por ter tranquilizado e assegurado seu ômega inseguro.
O corpo de Zoro vibrava com o desejo de esfregar suas glândulas contra as de Sanji para espalhar o máximo possível seus próprios hormônios, marcando-o com seu cheiro e o acalmando ainda mais no processo, mostrando de uma das formas mais íntimas e primais o quanto era desejado e querido. Contudo, Zoro tinha anos de proficiência treinada para controlar e ignorar seus instintos mais primários, instintos esses que majoritariamente eram culpa de seu segundo gênero, então ele não fez nada do que seu corpo clamava —não marcaria Sanji sem que ele pedisse primeiro—, apenas deixou-se ser beijado de novo e beijou-o de volta com a mesma intensidade.
Uma intensidade que nunca pensara que ansiaria porque nunca imaginara que trocar um beijo com seu rival e companheiro poderia ser tão prazeroso quanto lutar com ele, ciente de que não precisava conter-se porque eram iguais.
— Zoro. — Sanji gemeu contra a boca dele enquanto mordia e puxava seu lábio, fazendo-o arfar com a quente vibração que atravessou seu corpo, que deixou seu membro muito mais interessado no que estava acontecendo ali entre eles e sua mente mais nublada, aos poucos, mas certamente sendo tomada pelo desejo ardente de ambos seus feromônios colidindo e pesando no ar.
Em retaliação, Zoro soltou seu lábio e baixou o rosto para beijar a pele pálida, começando da mandíbula marcada e descendo para o longo e elegante pescoço, revezando entre sugar e dar mordidas fortes o bastante para marcarem por hora, mas não machucarem. A forma como Sanji começou a mexer o quadril em seu colo e soltar seu nome repetidas vezes em breves arfadas motivou Zoro a continuar com aquilo, a passar a língua por toda a extensão da glândula da garganta do loiro, o que o deixou bêbado com o feromônio tão direto e intenso do ômega, ainda mais quando este estremeceu em seus braços, pendendo a cabeça para trás para dar-lhe ainda mais acesso. Zoro não hesitou em lamber a glândula do outro lado, as suas próprias inchando com ainda mais hormônios em resposta, enquanto seu pau endurecia por completo, pulsando com a tentadora ideia de ser esfregado em todas as deliciosas glândulas do ômega e ficar ensopado com o cheiro dele, deixando Sanji marcado com o seu em troca.
Mesmo inebriado no odor e hormônios de Sanji que gritavam a necessidade dele de ser consumido por inteiro e com um espesso nevoeiro em sua mente, criação de seus próprios hormônios ansiando consumir, Zoro ainda controlou-se, mantendo-se em seus princípios e parando de abusar das glândulas da garganta para dar atenção ao pomo-de-adão, sugando a cartilagem proeminente antes de começar a puxar a gola da camisa do pijama para baixo com a intenção de alcançar a clavícula.
Zoro sobressaltou-se quando Sanji deu um tapa em sua mão.
— Não estraga a minha roupa, — reclamou, a voz afetada, a respiração saindo com notável dificuldade, e empurrou-o de leve com uma mão em seu esterno, descendo a outra até a barra da camisa onde começou a puxar para cima. Ao perceber suas intenções, Zoro não hesitou em ajudá-lo até que jogasse a peça para o lado e suas mãos envolvessem a cintura agora nua e quente sob seu toque.
Sua língua vibrava para lamber cada canto exposto do cozinheiro.
— Não quer acender a luz? — murmurou, seus dedos acariciando a barriga lisa, subindo pelas costelas até circundar o tórax e descer novamente, desejando poder enxergar o que fazia, poder enxergar Sanji e explorar sua pele e corpo com os olhos também.
Mas Sanji balançou a cabeça, inclinando seu queixo para plantar selinhos nos lábios ao sussurrar “Não precisa” e iniciar outro beijo de fato, trazendo toda a atenção de Zoro de volta para a sua boca enquanto os braços do espadachim o envolviam por inteiro e o puxavam para si. Infelizmente toda aquela bandagem que o cobria quase dos pés a cabeça, anulava um pouco a sensação de pele contra pele, mas só o que Zoro conseguia sentir já bastava para querer sentir mais.
E parecia que Sanji compartilhava do mesmo desejo porque logo as mãos esguias e firmes estavam na barra de sua calça e Zoro contorcia-se como dava para ajudar o cozinheiro a escorregá-la por suas pernas. Seu pau mal batera contra sua barriga e Sanji já estava com uma mão ao redor dele, apertando-o apenas o bastante para causar uma rápida, mas intensa vibração das bolas até a cabeça do espadachim, que grunhiu profundamente jogando a cabeça para trás.
Era a primeira mão além da sua ali, e fazia muito tempo que não colocava sequer a sua própria já que só se masturbara duas vezes na vida —a primeira quando teve sua primeira ereção matinal aos quatorze, agindo sem sequer perceber o que fazia até já ter feito e a segunda não muito depois disso e foi quando decidiu que não valia a pena, que era um desperdício de tempo e energia, então, dali em diante, passou a usar suas esporádicas ereções como mais um exercício de autocontrole e maestria.
De qualquer forma, só ter a mão de Sanji o segurando já era melhor.
— Claro que você fica maior ainda duro, cabeça de alga aparecido, — resmungou baixo entre dentes, circundando a mão no membro e apertando-o um pouco mais antes de passar o dedão pela cabeça, coletando e espalhando o pré-gozo que tinha saído. Zoro pôde apenas inspirar mais fundo, um grunhido reverberando em seu peito.
— Fica me observando no banheiro, é? — Provocou em um murmúrio, sorrindo de canto ao perceber os traços de Sanji contorcendo-se. Tinha certeza de que o rosto dele também enrubescera e Zoro queria ver e lamber todas as partes mais avermelhadas.
Com todos aqueles súbitos e inesperados anseios invadindo a mente do espadachim desde o momento em que fora beijado pela primeira vez, era difícil não começar a ponderar o quanto realmente não ligava para intimidade.
Era provável que fosse apenas coisa de momento, instintivo, então não havia porque Zoro não apenas aproveitar.
— Vai falar que nunca me olhou? — O cozinheiro rebateu, a língua afiada como sempre, a mão firme masturbando-o em um ritmo contido, mas o suficiente para expelir cada vez mais pré-gozo.
— Não sou tarado como você, cozinheiro pervertido. — Apesar de ter escolhido as palavras para provocar, era verdade. Mesmo depois de ciente de sua atração por Sanji, ele nunca o olhara daquela forma, nunca tentara ver além do que lhe era permitido.
Até agora.
Sanji grunhiu, sem tanta irritação quanto geralmente faria, e escorregou a outra mão que explorava o peitoral de Zoro para o cabelo em sua nuca, puxando forte o suficiente para forçar sua cabeça para trás. Antes que Zoro pudesse protestar, no entanto, a boca macia dele estava em sua garganta, beijando toda a extensão exposta, arranhando com os dentes o suficiente para arrepiar e arrancando arfadas do espadachim que voltou a explorar suas mãos pelo corpo do cozinheiro por necessidade de senti-lo, de conhecer todas as suas curvas e contornos, mas também por não querer ficar totalmente à mercê do outro, não quando seus instintos gritavam para ele fazer coisas que jamais pensara em sua vida.
Coisas como dobrar Sanji ao meio e enterrar-se fundo nele até explodir dentro, estufando-o com seu sêmen, com os dentes rasgando a pele entre seu pescoço e ombro.
A mera ideia quase o fez gozar na mão de Sanji que, ao perceber isso, rapidamente apertou a base de seu pau com um pouco mais de força do que deveria, enquanto levara a outra mão até a glande para pressioná-la também. Zoro emitiu um curto sibilo de dor que fez Sanji soltá-lo de imediato.
— Desculpa, — sussurrou segurando a mandíbula de Zoro com ambas as mãos, ajeitando-o para encostar a testa contra a sua, os lábios roçando ao continuar. — Mas a culpa é sua por quase terminar rápido demais.
Zoro podia rebater ou xingá-lo, dar início a mais uma discussão ali mesmo, contudo sua fome estava em um nível que não conseguia mais negar nem postergar, por isso agarrou a nuca do loiro com uma mão e esmagou sua boca na dele, a sua já aberta com a intenção de devorá-lo e assim o fez, deleitando-se nos curtos gemidos que Sanji não conseguia não soltar enquanto voltava a rebolar em seu colo, friccionando seu pau coberto contra o exposto de Zoro. Então Sanji ergueu um pouco mais o quadril, ajeitando o ângulo até estar esfregando a parte abaixo de seu pau, onde sua calça parecia ensopada com um vão quente sugando o material. Quando o membro de Zoro encaixou-se ali, o rebolar de Sanji tornou-se mais desesperado.
— Calma, calma. — Foi a vez de Zoro controlá-lo, uma mão em sua cintura parando o movimento enquanto o loiro arfava quente em sua bochecha, seu corpo estremecendo a cada poucos segundos, os feromônios intoxicantes fazendo Zoro perder a noção de onde sequer estava. Nada mais além de Sanji importava, nada além de enterrar-se no calor dele, de fazê-lo chorar de prazer e estufá-lo até estar com o cheiro de Zoro impregnado, até estar redondo, carregando o—.
Não, instintos primitivos idiotas.
— Zoro, zoro, — gemeu com a cabeça enfiada na curva do pescoço do outro e, quando passou a língua quente e molhada pela glândula inchada, foi a vez do espadachim estremecer, com uma quantia ainda maior de pré-gozo saindo e suas unhas curtas fincando fundo na pele da cintura estreita.
— ‘Tô aqui, — sussurrou contra a orelha do outro, espalhando beijos rasos no cabelo já molhado de suor enquanto as mãos agarravam a barra da calça de Sanji, puxando-a para baixo e recebendo certa ajuda mesmo que o cozinheiro estivesse focado em deixar sua glândula completamente lambida, também esfregando o nariz enquanto esfregava como dava o corpo no de Zoro.
Zoro nunca pensara muito sobre o cio dos ômegas, apenas sabia que era algo que existia assim como os ruts dos alfas, contudo jamais teve qualquer interesse, nem mesmo nas vezes que, por um motivo ou outro, sentiu o cheiro e os feromônios de um ômega no cio. Em todas essas vezes, seu corpo respondera um pouco ao estímulo, mas nada que Zoro não pudesse ignorar e, na mesma linha, sempre usava seus ruts como desculpa para ter meditações mais intensivas.
Agora, no entanto, com a forma com que Sanji estava agarrando-se a ele, vazando feromônios de excitação e desesperado pelo alfa abaixo de si, Zoro não pôde evitar imaginar como seriam os cios de Sanji. Tendo uma grande ideia da líbido do cozinheiro pervertido, não duvidava de que ele ficava insaciável beirando a insuportável.
Bem, se fosse o caso, Zoro sempre poderia treinar ainda mais sua estamina.
Com a calça e a cueca juntando-se as demais peças de roupa no chão da enfermaria, ambos estavam finalmente nus e o calor emanando de Sanji ainda mais intenso contra a pele de Zoro, assim como era ainda mais óbvio quão excitado estava, com a coxa e virilha do espadachim sendo rapidamente embebidas pelo lubrificante natural que escorria do buraco do cozinheiro.
Por não conseguir enxergar muito bem, Zoro resolveu fazer como Sanji e colocou a mão entre eles, segurando com cuidado o pênis menor e muito endurecido do ômega, já notando a falta do bulbo e, ao descer um pouco mais a mão, a falta das bolas. Ao invés disso, deparou-se com algo quente, macio e molhado que facilmente abriu-se como lábios com a mínima pressão de seus dedos, dando a Zoro o vislumbre de quão impossivelmente mais quente e molhado era dentro, arrancando de Sanji um gemido mais profundo do que todas as outras vezes.
Zoro não era ignorante, havia aprendido um pouco sobre anatomia no dojo e as diferenças de homens e mulheres, alfas, betas e ômegas, assim como também já vira mulheres e ômegas sem roupas. Ele já tinha visto Sanji pelado, só nunca dera muita atenção. Portanto, sabia da existência de vaginas e como mais ou menos era a aparência delas no geral.
Zoro só nunca imaginara que poderiam ser tão quentes e macias, com um cheiro de dar água na boca aumentando a pulsação de seu pau e seu anseio em explorá-la mais a fundo.
— Zo-zoro, por favor, — arfou contra seu pescoço, ambos os braços envolvendo-o pelos ombros enquanto continuava a girar o quadril, fazendo os dedos de Zoro deslizarem por toda a extensão da lábia. Espalhando beijos pelo ombro exposto do outro homem, Zoro curiosamente deixou dois dedos escorregarem mais para dentro, explorando com cuidado até achar de onde vinha todo aquele lubrificante, então pressionou contra o buraco. — Zoro.— Sanji vibrou em seu colo quando um dedo entrou, fazendo o pau de Zoro pulsar com a ideia dele estar lá dentro no lugar.
Zoro queria explorar mais, enfiar mais dedos, enfiar a boca, entender como funcionava, entender como Sanji gostava de ser tocado e o que lhe daria mais prazer. Contudo não seria ali naquela primeira vez, não com como os movimentos dele estavam restritos e com o cozinheiro insistindo para que ele não se mexesse demais nem se esforçasse.
Zoro ainda descobriria os segredos de cada curva do loiro —a ânsia em saber como satisfazer ao máximo seu ômega crescendo exponencialmente dentro de si—, mas, dessa vez, se contentaria em apenas ser guiado por Sanji.
— O que quer, curly? — sussurrou no ouvido, seu dedo entrando e saindo com cuidado do buraquinho, seguindo o ritmo dos movimentos do quadril do loiro.
— Seu pau dentro de mim, — respondeu sem hesitar, uma mão voltando a segurar a ereção com firmeza, arrancando um gemido do espadachim. A boca de Sanji foi para sua mandíbula, deixando beijos molhados até chegar a orelha e murmurar. — Acha que consegue me aguentar cavalgando em você?
Um arrepio atravessou a espinha de Zoro que sorriu de canto, presunçoso.
— Só se conseguir cavalgar até estar estufado com meu gozo.
Soltando um barulhinho de irritação apesar do sorrisinho perceptível nos lábios, Sanji afastou-se o suficiente para posicionar-se melhor, guiando o pau do outro até que se posicionasse na entrada enquanto ambas as mãos de Zoro voltavam a segurar a cintura, os dedões acariciando a pele quente, contornando os ossos proeminentes do quadril forte, os olhos fixos no que acontecia entre eles, tentando enxergar além das sombras e contornos. Então Sanji começou a sentar com calma, uma mão no ombro do espadachim enquanto a outra estava firme na base, ainda guiando o pau para dentro do buraco que só com poucos centímetros dentro já parecia impossivelmente apertado, pesando a respiração de Zoro, que segurava-se com todo o seu autocontrole para não estocar com tudo para cima e entrar de uma vez no cozinheiro.
A mão de Sanji tremeu em seu ombro e sua respiração falhou quando a glande entrou por completo. Esforçando-se para não trincar a mandíbula, Zoro enfiou uma mão nas mechas loiras, puxando o rosto para um pouco mais perto do seu e murmurou, a voz vacilante:
— Curly, se for… se for te machucar, não… não prec-.
— Cala a boca. — Interrompeu com um chiado irritado, calando de vez a boca de Zoro ao beijá-lo e descer de uma vez o quadril, até as pélvis estarem rentes e o pau completamente dentro. Ambos arfaram na boca um do outro, os corpos estremecendo, a respiração travando e Zoro agora focando todo o seu autocontrole em não gozar ali mesmo porque Sanji era deliciosamente quente e apertado e estava soltando ainda mais lubrificante e pulsando ao seu redor e Zoro nunca mais queria sair dali.
— Porra, cook, — grunhiu apertando os dedos na pele da cintura e na cabeça, puxando-o mais para perto, respirando pesado na boca aberta de Sanji.
— Zoro, — gemeu com o peito todo, suas mãos cravando nos ombros do espadachim que queria ter um Disco Sonoro para gravar todos os sons que estavam saindo de Sanji e assim poder ouvi-los de novo sempre que quisesse porque eles estavam fazendo coisas deliciosas com sua mente.
Inebriado por Sanji em todos os sentidos, Zoro escorregou sua mão para o pescoço dele, onde começou a esfregar a glândula de seu pulso contra a da garganta, misturando ainda mais seus feromônios e fazendo ambos seu pau e buceta dele pulsarem em prazer. Sanji soltou um barulhinho de aprovação que borbulhou no peito do espadachim e então ele o estava beijando de novo, a língua quase descendo pela garganta enquanto começava a mexer o quadril em movimentos circulares e experimentais.
Não demorou muito para Sanji começar a usar a força em suas pernas para erguer-se até ter apenas a glande dentro e então sentar com um rebolado que fez os olhos de Zoro girarem para trás e um grunhido reverberar em seu peito.
Logo, Sanji estava quicando em seu colo, as mãos arranhando seu ombro e peitoral, a cabeça jogada para trás e a boca aberta deixando escapar os gemidinhos mais obscenos que iam das bolas de Zoro até o topo de sua cabeça como o mais delicioso dos arrepios.
— Porra, Zoro… Zoro, ah… acho que tô… ah sentindo você bater no meu útero. Porr-ah!
Por algum motivo, ouvir aquilo causou um curto-circuito de prazer tão forte no cérebro de Zoro que ele estocou para cima sem perceber, arrancando uma arfada surpresa de Sanji. Mordendo o lábio e fincando as unhas curtas na carne, Zoro fez de novo e de novo e de novo, parecendo afundar-se cada vez mais fundo no cozinheiro, as paredes macias apertando-o e sugando-o, lubrificante molhando cada vez mais suas bolas e coxas. Até Sanji endireitar-se e usar toda a força de suas pernas para parar com o movimento do espadachim que, pela primeira vez, odiou o fato do cozinheiro ter força superior à dele na parte inferior do corpo.
— O que pensa… ah, que tá fazendo?
— Te fudendo, — grunhiu o óbvio, apertando a cintura e tentando fazer o cozinheiro voltar a mexer, mas sem sucesso.
Suas palavras o fizeram vibrar em seu colo, a bucetinha se fechando um pouco mais por um segundo, porém ele permaneceu resoluto.
— Você não ‘tá em condições pr-.
— O cacete que eu não t-. — Uma mão suada tapou sua boca e Zoro pôde apenas encarar a sombra do rosto do cozinheiro.
— Deixa de ser teimoso e me deixa fazer isso, — pediu e, quando não teve qualquer resposta, pegou uma das mãos de Zoro nas suas e aproximou o rosto até encontrar as testas, sussurrando: — Me deixa cuidar de você.
Os feromônios que ele liberou foram golpe baixo, mas Zoro não resistiu contra eles, deixando-se relaxar sob o cozinheiro para que ele soubesse que poderia retomar o controle sem resistência. O sorriso que pôde perceber abrindo-se no rosto dele foi recompensa o suficiente e o tenro, mas profundo beijo que recebeu após ainda mais.
Então Sanji voltou a girar o quadril retomando a cavalgada aos poucos sem quebrar o beijo, explorando com calma a boca de Zoro enquanto deixava a sua ser explorada, ambos engolindo as arfadas e gemidos um do outro. Zoro aproveitou os movimentos mais calmos para apertar o quadril com a mão que Sanji não segurava, descendo-a com a palma aberta pela coxa grossa, os músculos tão fortes e letais tensionando e relaxando de forma rítmica, não vacilando nem quando Zoro começou a apertar toda a extensão, circundando-a e decorando sua textura, suas curvas; a língua vibrando para lamber ambas e os dentes para marcá-la. Mais para baixo, a panturrilha era tão admirável quanto, com os pelos mais grossos apenas criando certa resistência e fazendo uma suave cócega na palma.
Quão forte aquelas pernas o apertariam se estivessem ao redor de sua cintura? Ao redor de sua cabeça? Quanto tempo aguentariam dobradas e abertas, expondo tudo o que o cozinheiro tinha para seu rival?
Zoro foi tirado de seus pensamentos por Sanji subitamente acelerando a cavalgada, voltando a quicar como fazia antes, deixando-se ser penetrado cada vez mais fundo e fazendo as bolas do espadachim começarem a se contrair, o bulbo começando a dar sinais de que incharia.
Não era justo quão gostoso Sanji era, quão atraído Zoro era por ele com toda aquela força e poder vibrando sob a pele, moldando contra a do espadachim como um imã. Um ímã fodido que não sabia se os atraia ou repelia, mas que só fazia a fricção entre eles ser ainda mais viciante por isso, seja quando lutavam juntos, quando brigavam entre si ou agora, com seus corpos conectados dando prazer um ao outro, misturando seus feromônios e afogando a enfermaria na junção de seus odores trepidando em êxtase.
Sanji era a garrafa de saquê mais doce que Zoro precisava consumir para aplacar sua sede.
Contudo, tudo o que podia fazer era cravar as unhas na coxa, apertar a mão que segurava a sua e sugar lábios e língua que tentavam fugir do seu alcance graças ao movimento violento do corpo, engolindo todo barulhinho que escapava da boca do cozinheiro que parecia desesperado em busca do próprio ápice.
— Zoro, — gemeu mais coerentemente, soltando a mão da dele e arfando de uma forma um tanto mais aguda quando um outro som de pele contra pele surgiu no ambiente. Bastou apenas uma olhada para baixo para entender que Sanji começara a masturbar o próprio pau em sincronia com suas sentadas. Os olhos de Zoro reviraram ao imaginar a visão que o cozinheiro deveria estar no momento, um grunhido irritadiço escapando do peito pelas luzes apagadas; um grunhido que Sanji ignorou e que foi rapidamente substituído por um profundo gemido em resposta ao pedido arfante do loiro: — Me ata… ah, me ata, Zo-zoro, por… a-ah, por favor eu… eu quero senti-aah.
Zoro tentou responder com um “Tudo o que quiser, curly”, mas saiu em um grunhido incompreensível enquanto seu quadril ia para cima frenético de encontro com o de Sanji, suas bolas se contraindo e subindo mais, com o bulbo inchando até o nó se formar, prendendo o pau dentro da buceta que pulsou mais forte antes de ser inundada com o gozo explodindo de Zoro.
Diferente das duas vezes que se masturbara, Zoro podia jurar ter perdido a consciência por um segundo, voltando a si com as pernas tremendo e ainda liberando sêmen quando a buceta ficou impossivelmente mais apertada, pulsando quase tão rápido quanto as batidas de seu coração enlouquecido e Sanji pareceu convulsionar em seu colo, o quadril vacilando e um longo gemido preso na garganta.
O forte cheiro do orgasmo de Sanji que invadiu todos os seus sentidos poderia ter provocado outra ereção em Zoro se ele já tivesse parado de gozar.
Ele tinha ouvido falar algo sobre a ejaculação de um alfa atado em um ômega ser mais longa, mas puta que pariu.
Quando finalmente parou e Zoro encontrou-se apenas mais relaxado e sonolento do que o normal, ele envolveu os braços ao redor de Sanji, deitando-o com cuidado contra seu peito enquanto o cozinheiro ainda sofria com espasmos e soltava pequenas arfadas. Com o rosto tão perto do seu, ele quase podia ver em detalhes a expressão de extasiado do outro, ambos os olhos visíveis e fechados, suor grudando toda a franja em sua testa e têmpora, um sorrisinho bobo no canto de sua bochecha que Zoro tinha certeza ser igual ao que tinha em seu próprio rosto. Sem pensar, ele deixou um braço o segurando, acariciando a barriga —que parecia um pouco suja com algo espesso que só podia ser ejaculação do cozinheiro—, e ergueu o outro para encaixar a mão na mandíbula, acariciando os pelos quase inexistentes do queixo, então puxando-o para plantar um selinho nos lábios inchados e molhados. Um selinho que se tornou em dois, três, quatro, cinco, seis, até Sanji interromper ao começar a rir de leve, um riso que reverberou como orgulho no peito de Zoro.
— Nunca iria imaginar que o grande Roronoa Zoro, demônio do East Blue, fica todo pegajoso depois de transar, — provocou em um sussurro, deixando-se ser abraçado enquanto espalmava uma mão contra o peitoral do espadachim.
Zoro estalou a língua, porém, ao invés de provocar de volta, apenas confessou:
— Também não imaginaria.
As sobrancelhas de Sanji franziram enquanto Zoro acariciava sua mandíbula, a mão subindo para a orelha, tirando o cabelo suado da frente antes de começar a contorná-la com o dedão.
— Como assim? Não ficou pegajoso nas outras vezes?
— Que outras vezes?
Zoro parou confuso quando Sanji enrijeceu em seu colo, voltando a fitar o rosto do loiro só para encontrar os olhos arregalados.
— Essa foi sua primeira vez?! — Quase berrou em um sussurro agudo que forçou Zoro a afastar um pouco a cabeça ao ter seus tímpanos machucados.
— E o que é que isso importa? — Rebateu um pouco mais irritadiço, soltando a orelha de Sanji para enfiar o dedo mindinho na sua própria.
Contudo, ao invés de começar a falar sem parar sobre alguma besteira da importância da “virgindade” ou de quão “sagrado” era perdê-la ou qualquer outra abobrinha que era a cara do cozinheiro acreditar, Sanji apenas ficou quieto, os olhos para baixo e o lábio entre os dentes, indicando seu desejo por um cigarro.
— Eu só… fiquei surpreso, — murmurou sem ainda olhá-lo, a mão esguia fazendo um suave carinho em seu peitoral. Porque Zoro sabia que ele tinha mais a falar, esperou. — Que eu saiba, alfas não costumam permanecer virgens por muito tempo, já que vão atrás de qualquer ômega ou beta que estiver a fim de satisfazê-los em seu primeiro rut. — A risadinha de descaso que Zoro soltou fez Sanji encará-lo com os olhos endurecidos; então ganhou um leve tapa no peito. — Mas deveria imaginar que você é quase tão estranho quanto o Luffy.
— Nem todos somos pervertidos como você, curly.
Quando Sanji enrijeceu novamente ao invés de começar uma discussão, Zoro encarou-o com a sobrancelha erguida. Agora ele parecia dedicado a olhar para qualquer lugar menos para Zoro e seu lábio sofria ainda mais com a pressão dos dentes.
— Ei, que que é?
— Nada, é só que… eu… eu não fiz nada que você não queria, né?
Porque aquela ideia era ridícula demais para uma risadinha de descaso e Sanji parecia de fato preocupado, Zoro forçou-o a olhar para ele e respondeu sério:
— Nunca faço nada que eu não queira.
Sanji assentiu, seu corpo relaxando em alívio e, quando Zoro sorriu pequeno, ele retribuiu, voltando a acariciar seu peito. Zoro voltou a encaixar a mão em sua mandíbula e puxou-o para mais perto, dando um beijo em sua boca, então no queixo, descendo para o pescoço onde inspirou fundo os feromônios bem mais calmos e contidos que agora pareciam misturados com o cheiro dele, de Zoro.
Um grunhido satisfeito escapou de sua garganta e, sem pensar, começou a puxar Sanji para ainda mais perto, enfiando o rosto no pescoço dele ao colocá-lo totalmente em cima de si de novo. Sanji tentou resistir e chacoalhar-se, porém parou com uma baixa exclamação de dor quando foi lembrado do nó que ainda os prendia, impedindo ambos de mexerem as pernas, o que não era a situação mais conveniente.
— Demora muito pro nó sair? — questionou contra o pescoço do loiro, que bufou ao desistir de lutar contra os braços que o seguravam, repousando a bochecha contra a cabeça de Zoro ao invés.
— Depende do alfa e da situação.
— Hm, mas ‘cê não ‘tá confortável, né?
— Não muito, ajudaria se eu pudesse pelo menos esticar as pernas.
Parando apenas um segundo para considerar suas posições, Zoro segurou uma coxa de Sanji em cada mão e começou a puxá-las para trás, instigando o loiro a mexê-las. Sanji começou a reclamar, mas soltou um gritinho surpreso ao invés quando Zoro virou ambos de lado assim que teve sucesso em desencaixar os joelhos do outro firme no colchão. As pernas de Sanji se esticaram na hora contra as suas, um suspiro de alívio escapando da boca dele enquanto Zoro os ajeitava de forma mais confortável, mantendo o ômega abraçado contra seu peito, com as pernas intercaladas de forma que pelo menos uma de cada estava no meio, mas com as pélvis o mais unidas o possível para que seu pau ainda inchado com o nó não machucasse nenhum dos dois. O mais importante, no entanto, era que Zoro podia enfiar o rosto no pescoço de Sanji como estava fazendo, de modo confortável o suficiente para adormecer ali sem problemas e o loiro não parecia se opor muito a isso, soltando apenas um suspiro e abraçando-o de volta como dava.
— Certo, agora vai dormir, vai. Chopper disse que você tem que descansar bastante, — murmurou enquanto fazia um leve carinho circular em suas costas. Geralmente, Zoro não deixava as pessoas chegarem muito perto de suas costas, muito menos encostar nelas, mas o cozinheiro era uma das grandes exceções, além de ser um dos que mais o ajudava a protegê-la.
— ‘Cê sabe que eu ‘tô bem, né? Não preciso de tudo isso, — resmungou, apesar de já ter o sono nublando sua mente, o seu corpo todo relaxado permitindo isso mais facilmente.
Sanji soltou um curto risinho nasalado.
— Só segue as ordens médicas, Zoro.
E inevitavelmente Zoro o fez, deixando-se ser guiado sem resistência para o mundo dos sonhos poucos segundos depois, o ecoar da voz do cozinheiro falando seu nome seguindo-o até seu inconsciente, junto ao cheiro do ômega em seus braços que, no momento, parecia ser o melhor do mundo.
Quando Zoro despertou sabe-se-lá quantas horas depois, foi sobrecarregado com o cheiro esmagador de cigarro no ambiente, até mesmo tossindo um pouco por causa disso e, ao sentar-se recuperando a consciência, percebeu estar sozinho na enfermaria, com sua calça bem colocada e, até onde podia ver, com tudo livre das evidências do que havia acontecido durante à noite.
Se Zoro ainda não tivesse com Sanji impregnado em seu nariz, língua e pele, uma sutilíssima e bem-vinda “pressão” em seu quadril e uma estrangeira sombra de sensação ao redor de seu membro agora flácido, poderia até acreditar que tudo o que aconteceu não passara de seu sonho mais lúcido.
Só que tinha acontecido. Ele e Sanji haviam transado.
Agora a falta do cozinheiro em seus braços fazia algo incômodo retorcer em seu estômago, arder no céu da boca e pinicar em seu peito.
Conscientemente, Zoro sabia que Sanji tinha tido um bom motivo, afinal, raios de Sol já entravam pela pequena janela da porta, o que significava que já estava na hora ou já tinha passado a hora do café da manhã e o cozinheiro nunca deixaria sua nakama esperando e alimentar a todos sempre seria sua maior prioridade. Contudo, seu instinto idiota de alfa estava gritando algo sobre precisar estar perto de seu ômega, garantir que estava bem, seguro e confortável; garantir que estava feliz e saudável, nas condições ideias para gestar a prole que havia colocado nele na noite passada.
O que era a coisa mais ridícula do mundo, porque Zoro não havia feito aquilo.
Sim, ele sabia do risco intensificado por ter penetrado a vagina de Sanji sem camisinha e ainda o atado com um nó, mas fora o cozinheiro quem pedira tudo aquilo e, se tinha uma coisa que ele era, era cuidadoso e meio bitolado em fazer tudo certo, então com certeza tinha algum jeito de eliminar as chances de qualquer prole existir.
Como sempre, Zoro precisava apenas usar seu autocontrole para ignorar seus instintos inúteis.
Entretanto, não podia negar que de fato queria ver Sanji.
Queria beijá-lo e enterrar o rosto no pescoço dele de novo.
Será que Sanji ainda o deixaria ser um pouco pegajoso?
Provavelmente não na cozinha quando estivesse ocupado preparando algo… e aquele era exatamente o lugar onde Zoro começaria a procurá-lo.
Se pudesse só começar o dia vendo-o e dando um ligeiro beijo na bochecha, com certeza já bastaria para acalmar todo o rebuliço acontecendo dentro de si, fortalecendo sua convicção de que o acontecimento da madrugada havia sido real.
E, talvez, não precisasse ser o único.
Porém, antes que Zoro sequer terminasse de levantar da cama, a porta da enfermaria abriu e um Chopper avoaçado entrou, soltando uma estridente exclamação de surpresa ao sentir o cheiro no ar.
— Zoro! Você estava fumando aqui dentro?
— Quê? ‘Cê sabe que eu não fumo!
— Então por que parece que alguém fumou uma caixa inteira de cigarros aqui? — falava em um tom um tanto agudo enquanto abanava para todo lado um envelope que pegara na mesa.
Dessa vez, Zoro precisava admitir que o garoto não estava exagerando. Dava até para ver um pouco da fumaça. Parecia até que Sanji tentara tacar fogo ali dentro.
Porque raios ele tinha fumado tanto enquanto o outro dormia, Zoro não tinha ideia, mas não havia dúvidas de ser obra dele.
— Pergunta pro cozinheiro, ué.
Chopper parou de abanar o envelope e seus grandes olhos castanhos fitaram o homem arregalados.
— Sanji?! O Sanji sabe que não é para fumar aqui dentro! E o que é que ele estava fazendo aqui?
— Ele veio me trazer a jan-.
— Sanji! — Antes que Zoro pudesse terminar de falar, Chopper já estava atravessando a enfermaria em direção à porta que dava acesso direto à cozinha, berrando o nome do loiro com a voz mais séria que sua pequena e adorável forma padrão o permitia. Zoro apenas soltou um risinho com a perspectiva do cozinheiro estar encrencado antes de seguir o médico, chegando a tempo de vê-lo subindo em uma das cadeiras mais altas da bancada para ficar na altura de Sanji e puxar-lhe a orelha. O cozinheiro soltou uma curta exclamação de dor antes de largar a faca que segurava para esfregar a orelha avermelhando.
O estômago de Zoro revirou-se com um calor gostoso subindo para seu peito e rosto no segundo em que seus olhos recaíram sobre a forma de Sanji.
— Pra que a agressão?
— Porque você fumou na enfermaria sabendo que é proibido! E com o Zoro lá dentro doente pra piorar!
— Ei! Eu não ‘tô doente! — reclamou enquanto aproximava-se do balcão, mas foi ignorado por ambos que continuavam a se encarar.
— Quem disse que eu fumei na enfermaria? — O cozinheiro semicerrou os olhos para o médico, cruzando os braços e deixando a pesca que cortava momentaneamente de lado.
— Você é o único aqui que fuma e a enfermaria está fedendo nicotina, Sanji! Não adianta mentir pra mim! Você sabe quão bom meu nariz é! Muito melhor do que o de vocês! — Os pelos da pequena rena-humana até pareciam um tanto arrepiados de tão estressado que estava, algo que Zoro, Luffy e o próprio cozinheiro eram muito bons em fazer acontecer.
Robin provavelmente daria um cascudo em Zoro se soubesse quão adorável ele estava achando a cena, ainda mais com como as maçãs do rosto de Sanji estavam com um leve tingido vermelho, o que só o fazia ter mais certeza de que aquela cor estivera muito mais forte na noite passada.
E como ele queria ter visto…
— E o seu super nariz sentiu o cheiro de mais alguma coisa? — Sanji pegou ambos Zoro e Chopper desprevenidos com a pergunta, o último suavizando a expressão na hora ao mexer as orelhinhas e o narizinho azul em confusão.
— Hm, não? Só o cheiro pesado de nicotina, por quê?
Ao invés de continuar com a discussão, insistindo na mentira como Zoro pensou que Sanji faria, a expressão dele neutralizou-se em um pequeno sorriso quase forçado e ele só confessou ao dar batidinhas no chapéu do médico:
— Por nada não! E sim, eu fumei um maço inteiro de cigarros lá dentro!
— POR QUE VOCÊ FEZ IS-.
— Porque eu fui levar o jantar do marimo preguiçoso e ele me irritou, então achei que ia ser divertido me vingar dele assim! — Algo contorceu-se dentro de Zoro ao ouvir a explicação dada em uma voz tão indiferente, sua própria garganta parecendo apertar-se, impedindo-o de sequer reclamar da acusação enquanto seus olhos se estreitavam no cozinheiro, que sequer mostrou indício de estar consciente de sua presença ali enquanto calmamente ouvia o sermão de Chopper sobre não poder fumar na enfermaria em hipótese alguma.
Algo incomodava no fundo da mente de Zoro, uma sútil pressão que ele não conseguia nomear ou sequer entender porque estava ali, apenas perceber que era similar demais a quando pressentia um inimigo próximo. A única certeza que tinha, era de que, o que quer que fosse que parecia fora do lugar no momento, tinha a ver com Sanji e o pequeno sorriso plácido que não alcançava seus olhos, fixos demais na pequena rena que continuava a tagarelar sobre os riscos de ser um fumante.
— Tudo bem, Chopper. Prometo que isso nunca mais irá se repetir, tá bom? — Sanji falou por fim em um tom ainda indiferente que fez um desconfortável calafrio atravessar o estômago de Zoro. Foi então que ele também percebeu não estar sentindo nada do cheiro nem de feromônio do ômega, apenas mais cigarro e tão forte que parecia até ofuscar um pouco o que ele sabia ainda estar impregnado em sua própria pele. — Por que então não vai lá tirar o cheiro enquanto sirvo o café da manhã do marimo e termino de limpar todos esses peixes pro nosso almoço? — sugeriu com a voz quase meiga e Chopper não parecia ter nada contra a ideia, já que apenas suspirou e desceu da cadeira, voltando para a enfermaria para fazer exatamente isso.
Enquanto observava o garoto afastar-se balançando a cabeça, como se cansado de ter que lidar com todos eles, foi que a ficha de Zoro caiu:
Sanji sabia muito bem que não podia fumar na enfermaria, tanto que quase o fizera várias vezes na noite passada antes de desistir.
Ele o havia feito de propósito para encobrir o cheiro de sexo que Chopper com certeza sentiria sem dificuldades.
Um pequeno sorriso acompanhado de alívio apareceu no rosto de Zoro com a realização, não pela primeira vez grato por Sanji sempre pensar em tudo porque de fato seria uma experiência muito desconfortável se Chopper descobrisse o que havia acontecido entre eles com apenas uma fungada; não só pela “aula” que o médico com certeza iria quer dar a eles, mas também porque o tal médico tinha apenas 15 anos e um arrepio já subia pela espinha de Zoro só por imaginar a criança sabendo sobre e querendo meter o nariz na sua vida sexual.
Sua atenção foi chamada de volta ao presente e ao cozinheiro quando um prato com pães e ovos foi colocado com um tanto de força à sua frente, fazendo seu estômago roncar pela primeira vez no dia ao ser atingido pelo delicioso cheiro. Zoro não conseguiu impedir seu sorriso de aumentar ao erguer o rosto para encarar o do cozinheiro ao seu lado, pronto para fazer alguma brincadeira e, talvez, aproveitar a proximidade e o fato de estarem sozinhos para roubar um beijo de bom dia, contudo seu sorriso murchou e cenho franziu em confusão ao ver a expressão dura com que Sanji o encarava.
Os lábios, que tinham o beijado com tanto afinco na noite passada, estavam esticados em uma tensa e fina reta, as sobrancelhas encaracoladas profundamente pregueadas em uma carranca, com os olhos logo abaixo rígidos e escurecidos.
Zoro engoliu em seco, passando a língua nos lábios enquanto tentava pensar o que tinha feito de errado.
O que tinha feito para chatear seu ômega?
— Coma antes que esfrie ainda mais, — disse ainda com aquela voz quase robótica, e então não fez mais nada, continuou a encarar o espadachim com a mesma expressão, quase como se esperando alguma coisa.
Zoro limpou a garganta. Ele sabia o quanto Sanji valorizava educação e limpeza e Zoro tinha ficado dormindo como uma pedra enquanto ele cuidava de tudo àquela manhã, então era esse o provável motivo de estar bravo, certo?
— Foi mal não ter ajudado a limpar tudo lá, você podia ter me acor-.
— Não aconteceu nada.
O ar travou na traquéia de Zoro, o cenho franzindo ainda mais.
— O quê?
— Ontem à noite, Zoro… — falou lentamente todas as sílabas, a mandíbula apertando na pequena pausa que deu para curvar-se para mais perto do alfa, a nicotina ficando mais forte quando o hálito bateu contra o nariz ao murmurar com uma firmeza que não dava espaço para dúvidas ou questionamentos. O peso em sua voz e olhar era de finalidade: — Não aconteceu nada. Entendeu?
E, após ter certeza de que Zoro não retrucaria ou protestaria —estava com a língua grande demais presa na garganta para fazê-lo—, Sanji afastou-se, retornando à pia para continuar a preparar os peixes para o almoço, cantarolando baixo uma música em um idioma que o espadachim não entendia.
Com o coração acelerado e pesado no peito, querendo cair em seu estômago enquanto o estômago parecia querer pular pela garganta, Zoro pôde apenas encarar as costas do cozinheiro, a mente nublada demais para pensar, um agudo barulho em seu ouvido como estática causando-lhe uma tontura que logo o obrigou a agarrar firmemente a mesa com ambas as mãos.
O cheiro dos pães e ovos agora o dava náuseas.
A memória de sua língua na glândula da garganta de Sanji enquanto ele gemia seu nome em seu ouvido quase fazendo toda a bile escapar no prato à sua frente.
O cozinheiro pervertido só o tinha usado para sexo.
Ele não sentia o mesmo que Zoro, não era seu ômega.
Não havia significado nada. Não havia acontecido nada.
Zoro engoliu as lágrimas pinicando atrás de seus olhos junto com seu café-da-manhã, deixando o prato e a caneca de café sujos em cima da mesa mesmo antes de sair o mais rápido possível da cozinha, indo direto para a solitude e conforto da gávea onde decidiu que passaria o dia inteiro treinando, foda-se as ordens médicas.
E foda-se o cozinheiro também.
Zoro tinha que focar em ficar cada vez mais forte para proteger sua nakama, ajudar Luffy a se tornar o Rei dos Piratas e se auto conquistar o título de Maior Espadachim do Mundo derrotando Mihawk, não tinha tempo para ômegas loiros de cintura estreita e feromônios viciantes.
Não tinha tempo a perder, nem porque lamentar-se com um coração dolorido devido à rejeição.
Pela primeira vez na vida, o cozinheiro de merda estava certo.
Não tinha acontecido nada.
