Chapter Text
𝑴𝒚𝒔𝒕𝒆𝒓𝒚 𝒐𝒇 𝑳𝒐𝒗𝒆 - 𝑺𝒖𝒇𝒋𝒂𝒏 𝑺𝒕𝒆𝒗𝒆𝒏𝒔
⤷ 𝒃𝒐𝒓𝒐𝒎𝒊𝒓 𝒊𝒎𝒂𝒈𝒊𝒏𝒆 ˎˊ
O amanhecer em Gondor era tão suave que mal teria despertado Maelor se não fosse pelo seu sono fraco.
Numa tentativa de despertar, o moreno tenta sentar na cabeceira, como de costume, mas é impedido por um aperto do braço forte envolto em sua cintura.
A pele bronzeada pertencia ao seu amante, Boromir, que dormia pacificamente ao seu lado. Mesmo após anos juntos, a visão familiar ao acordar ao lado dele ainda o fazia sorrir.
Os dois se encontravam em um quarto simples na pequena cabana da família de Maelor. Era discreto, solitário e distante de tudo que os dois tentavam evitar. Era o lugar secreto só deles.
Apesar do sorriso em seus lábios, aquela não era uma manhã comum. O calor de Boromir ao seu lado era apenas um lembrete de que sua cama logo se tornaria fria.
O rei havia enviado seu amante para mais uma missão, dessa vez em Valfenda. Não era uma surpresa que o herdeiro favorito do rei fosse representar Gondor no conselho dos elfos, mas Maelor não conseguia deixar de se preocupar com Boromir, saber que ele viajaria por meses sozinho foi o suficiente para atormentar seu sono.
Sua mão encontrou o caminho até a face adormecida do outro. Sua expressão tranquila lembrava Maelor de uma época mais inocente, quando ambos eram jovens demais para entender o peso de seus sobrenomes.
Na época, os dois estavam longe de serem próximos, muito pelo contrário, ele tinha quase certeza que Boromir o odiava. Maelor havia crescido com o irmão dele, Faramir, por conta da idade semelhante de ambos. Eles eram bons amigos, do tipo de estarem sempre juntos em qualquer situação, a maioria delas sendo confusões bobas.
A razão para a certeza de que Boromir o odiava vinha justamente dessas confusões, já que a culpa sempre caia sob o irmão mais velho.
Houve uma certa vez, em que eles tiveram a ideia de fazer uma pequena competição de arco e flecha no jardim do palácio. O que era uma brincadeira boba tomou um rumo desesperador quando Faramir atingiu Maelor com uma flecha.
Tudo aconteceu tão rápido que nenhum dos dois entendeu o que exatamente havia acontecido. Faramir assustado e temendo ser repreendido pelo pai optou pela única solução que eles conseguiram pensaram - pedir ajuda para Boromir.
Naquele tempo, o loiro passava pelo treinamento militar e começava a sentir a pressão do pai em suas costas, mas ainda assim, ele assumiu a responsabilidade pela brincadeira dos dois.
Quando o loiro ouviu do acidente, ele foi rápido em ajudar. Cuidou do ferimento do jovem Maelor então acalmou os dois antes de tomar a culpa por eles.
O rei por outro lado, sabia que Boromir, com sua mira perfeita, não era estupido o suficiente para acertar uma flecha em um garoto, porém, o mais velho foi de cabeça erguida até o fim em aceitar a punição. Boromir jamais deixou que Faramir fosse punido, porque percebia a maneira desdenhosa como o pai tratava o seu irmão.
Foi naquele dia que Maelor percebeu que Boromir não era tão assustador, apenas, tinha responsabilidades maiores do que ele mesmo.
Mesmo décadas depois, nada parecia ter mudado realmente. O peso de herdar o trono havia se intensificado mas Boromir jamais deixou de assumir a responsabilidade por aqueles que amava.
Maelor sorriu suavemente, queria poder confortar o outro e retribuir aquela proteção o levando para um lugar onde aquilo tudo não passasse de um pesadelo ruim. Gostaria que fosse assim, só eles dois para sempre.
Seu polegar traçou os lábios de Boromir com calma e cuidado para não acordá-lo, mas em vão, em alguns segundos um sorriso largo havia se formado entre os dedos de Maelor.
"Fingindo que estava dormindo?" Perguntou o mais jovem com um sorriso fraco. Boromir encontrou seu olhar antes de tomar o pulso dele para si.
"Apenas queria ver até onde você iria" Disse beijando os dedos calejados do amante, mas, nem mesmo o clima agradável podia o fazer ignorar o olhar entristecido de Maelor. Não quando ele havia passado a noite assim.
O loiro então se colocou sob os cotovelos, sua mão afastou uma mecha escura que cobria rosto do outro "Ainda está pensando sobre a missão, não está?"
Maelor, ciente de toda a pressão que o outro deveria sentir, negou com a cabeça. Por dentro, sentia angústia, todas as manhãs antes de se separarem eram iguais - uma noite calorosa então pela manhã voltavam para suas responsabilidades, onde fingiam que nada havia acontecido.
O que mais doía não era vê-lo partir, mas, saber que não poderia fazer nada a respeito.
"O meu pai espera que eu vá, para representar o povo de Gondor, eu não posso-" murmurou com os dedos traçando cada detalhe do rosto entristecido do outro.
"Eu não pedi para que ficasse" Interrompeu com um suspiro, evitando o olhar, ele se afastou do toque ao sentar. "Apenas não consigo deixar de me preocupar."
"Quando tudo isso acabar..." Disse, a expressão de Boromir se suavizando, ele reconhecia bem aquele olhar - Maelor dizia bem menos do que sentia. A mão calejada fez o seu caminho de volta para o rosto do outro, dessa vez o forçando a olhá-lo nos olhos. "... você não vai precisar se preocupar com mais nada. Será só nós dois."
Maelor sentiu um aperto contra seu peito ao ouvir as palavras. A promessa antiga de que eles iriam fugir dali quando a guerra acabasse - era o maior desejo de Boromir, mas Maelor sabia muito bem que aquilo jamais aconteceria. Ele era um príncipe e um dia seria rei, então tudo o que eles tinham ficaria no passado como tudo que é proibido.
"Apenas, seja rápido." Murmurou com um suspiro entristecido "E não esqueça de escrever"
Boromir sorriu suavemente envolvendo o amante em um abraço aconchegante. Ele o beijou na testa.
"Eu não vou esquecer"
