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O Dia dos Namorados sempre chegava em Konoha do mesmo jeito: silencioso demais para ser ignorado, barulhento demais para passar despercebido.
Lojas se enchiam de pequenas demonstrações de afeto e eram decoradas com corações e até mesmo anjos segurando arcos e flechas e muitos tons de rosa e vermelho para um mundo que era banhado pela última cor, mas oriunda de outra fonte e com outro propósito. Até parecia que entravam em outra dimensão. As missões eram trocadas sempre que possível, aqueles que tinham companheiros buscavam missões de Rank-C, até mesmo Rank-D naquela semana em específico. Quando não haviam como, buscavam fazer suas obrigações com prazos mais curtos, muitas vezes deixando de lado o cuidado excessivo, o que acarretava dias mais movimentados no hospital da vila. E até os shinobi mais atentos pareciam andar distraídos, como se o mundo tivesse decidido lembrar a todos que nem toda guerra era travada com armas. E um ex-ANBU não estava imune aquilo, ao menos não naquele ano. Nem mesmo o melhor sensei que dava tudo de si para formar os novos shinobis parecia totalmente focado em sua função.
Para Kakashi e Iruka, aquela data nunca passou de um detalhe do calendário — um costume observado à distância, sem pertencimento. Nenhum dos dois crescera com referências do que se fazia naquele dia, nem com alguém a quem dedicar gestos ou promessas. Ainda assim, naquele ano, o Dia dos Namorados parecia diferente. Não maior, não mais importante… apenas mais próximo.
Eles fingiam normalidade com a mesma habilidade com que fingiam não se importar em outras áreas da vida. Kakashi mantinha o tom casual, como se nada tivesse mudado. Iruka se ocupava com pequenas tarefas, como se o dia fosse apenas mais um. Mas, em silêncio, ambos carregavam planos que jamais ousariam confessar. Pelo menos não antes da chegada do dia que agora era tão aguardado.
Era a primeira que vez que comemoraram aquela data e queriam que fosse especial para os dois. E cada tinha um forma de querer demonstrar aquilo.
Iruka pensava em algo simples. Algo que dissesse estou aqui.
Kakashi pensava em surpreender — mesmo sem saber exatamente como se faz isso direito.
Eles não combinaram nada. Não fizeram promessas. Deixariam que o dia acontecesse, como quem entra em território desconhecido confiando apenas no instinto.
Mas falar é muito mais simples do que realmente executar e isso significava que tanto Kakashi quanto Iruka estavam surtando com a chegada daquele dia.
— Então, Kakashi, já pensou no que vai dar para meu irmãozinho no Dia dos Namorados? Ele merece algo especial sabe o que acontecerá se não o fizer — perguntou Asuma, naquele tom que misturava curiosidade e ameaça nada velada, mas que o Hatake apenas ignorava.
Sabia que o Sarutobi considerava Iruka como irmão mais novo, desde a época que foi colado sob a tutela do Hokage, por escolha própria do homem, que chegou a gerar diversos boatos e questionamentos sobre a decisão..
— Queria te dizer que sim, mas nada parece estar a altura dele. Iruka é tão… especial e importante para mim, que não quero algo simples.
— Olha, sabemos que Iruka não gosta de grandes demonstrações de afeto, coisas exageradas, assim como você. Pense em algo que o agrade, algo simples, que ele possa levar para o dia a dia e que ainda tenha o seu toque. Algo que faça ele lembrar de ti em todos os momentos. — sugeriu Kurenai com sinceridade.
— Não precisa pensar tanto, acredito que se olhar bem as coisas ao seu redor, da forma como faz em uma missão, encontrará algo perfeito e deixará meu irmão todo derretido, para minha infelicidade. És meu amigo, Hatake, mas ainda não sei o que ele viu em você. — Asuma não resistiu a provocação, recebendo um revirar de olhos em resposta do copy-nin, já acostumado com aquilo.
— Idiota. Pergunto a mesma coisa a Kurenai. Ela é muita areia para seu caminhãozinho ai. Se eu fosse ela, já tinha te trocado.
— Minha sorte que ela não é você e minha rainha aqui, jamais me trocaria.
— Autoestima tá em dia.
As implicâncias continuavam e enquanto o casal dava dicas do que o mascarado poderia fazer ou comprar para o namorado, fazendo com que a tensão de Kakashi, se dissipasse um pouco e sua mente começasse a trabalhar em opções que agradariam Iruka.
O que ele não sabia era que o próprio Umino estava no mesmo dilema e como ele, havia buscado ajudar com os amigos, que não hesitaram em ajudar, ou talvez colocar mais pressão no sensei, apenas para vê-lo se enrolar nas palavras. Anko, Kotetsu e Izumo não eram maus amigos, mesmo que Iruka duvidasse em alguns momentos, como aquele.
Iruka sempre achou curioso como certas datas pareciam mais barulhentas do que festivais inteiros. Aniversários, nascimentos, casamentos, eventos íntimos mas com grandes significados.
O Dia dos Namorados não tinha fogos, nem discursos oficiais, nem decoração espalhafatosa — não em todo local, mas ainda podia ver aumentar o número de corações e enfeites nas lojas e restaurantes da vila. A data estava em toda a parte e não falava apenas do visual. Estava nos sorrisos meio constrangidos no Ichiraku. Nos buquês improvisados na floricultura dos Yamanaka e numa Ino que conseguia deixar os clientes ainda mais envergonhados com suas falas e insinuações. Nos cochichos que paravam quando alguém passava. Nos próprios shinobis…
Ele suspirou, girando o copo de chá entre os dedos. Encarando os amigos como se fossem dar a resposta para todos os seus questionamentos internos. E quem sabe fossem.
— Eu só… não sei se ele liga para isso — confessou, finalmente, deixando claro o porquê daquela convocação tão de repente aos três, que suspeitavam desde o princípio.
Kotetsu apoiou o queixo na mão, a outra balançando de forma exagerada, dramático como sempre.
— Kakashi liga para tudo. Ele só finge que não.
Izumo concordou com um aceno sereno, quase apoiado ao namorado.
— A questão não é se ele liga para a data. É se ele liga para você fazer algo.
Anko, sentada de qualquer jeito na cadeira, soltou uma risada curta, bebendo seu chá com uma careta, claramente querendo outra coisa além daquela bebida sem graça.
— Iruka, você restaurou metade da fé do Naruto só existindo. Acolheu Kakashi quando ele acreditava que ninguém o via como era. Você acha mesmo que um homem que te escolheu não ligaria para um gesto seu?
Iruka corou, mas a insegurança não foi embora completamente. Era estranho pensar em celebrar algo que ele nunca tinha vivido. Não havia lembranças passadas para comparar, nem tradições aprendidas na infância, não teve tempo para que seus pais pudessem lhe ensinar algo sobre. Aquela data sempre fora observada de longe — um costume que não lhe pertencia.
Mas agora pertencia? Sim! Sua mente praticamente gritou;
— Eu queria algo simples — murmurou. — Algo que dissesse que eu estou aqui. Que… eu escolho ficar.
Kotetsu abriu um sorriso largo, tanto pelas palavras, como por ver que o amigo tinha as respostas para as dúvidas infundadas. Ele queria apenas uma confirmação, apesar de não admitir.
— Então faça exatamente isso.
Iruka assentiu, mas o coração continuava inquieto.
Ele não precisava de grandes declarações. Só queria ter certeza de que não pisaria em território que Kakashi preferisse deixar vazio.
— E sei o que está pensando e não deixe invadir sua mente, Golfinho. Se fosse algo que o Hatake não quisesse, ele lhe diria.
— Se joga, meu amigo e aproveite essa data para se aproximar ainda mais dele. Pode acabar descobrindo um lado que nem imaginava que existia. — declarou Izumo, agora abraçado ao namorado, fazendo Anko e Iruka revirar os olhos pelo grude que eram os dois.
Após a conversa de Kakashi e Iruka com os amigos, os dois sabiam exatamente o que fazer e como, faltava apenas colocar em praticar e esperar que conseguissem expressar tudo o que sentiam e que o outro, gostasse.
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Kakashi e Iruka quase não havia se visto nos últimos dias, o que era normal, devido à vida que o jounnin levava.
O Umino estava em casa quando encontrou um livro por acaso. Ou melhor, quase por acaso, afinal o objeto fora deixado ali, meio a vista, meio escondido por Kakashi para que ele encontrasse.
Ele organizava a estante quando percebeu algo diferente entre os volumes antigos. Um livro pequeno, de capa simples, tecido escuro que ele reconheceria em qualquer lugar — era parte de uma das antigas luvas de treino do Kakashi.
Ele franziu o cenho, pegando o livro, que parecia um caderno de anotações. Podia sentir o cheiro, o chakra de Kakashi, mesmo que de leve emanar pelas páginas.
O abriu com delicadeza e seus olhos se arregalaram levemente ao observá-lo com atenção. As páginas eram costuradas à mão, unidas uma a uma cada vez que uma página era. A linha irregular denuncia inexperiência. A caligrafia é conhecida, ele a reconheceria mesmo se fosse apenas uma única letra, um único kanji.
A primeira página é simples, apenas o que deveria ser o título e o heno-heno-moheji característico de Kakashi, que está estampado em todos os coletes dos ninkens.
“Missões da Nossa Vida.”
Iruka já começa a sorrir apenas com aquilo, os dedos contornando as palavras, os cantos das folhas e só então ele folheia e encontrou o que parecia ser anotações sobre o dia dele. Sobre o dia de Kakashi não, sobre o próprio Iruka. Sobre seu dia, suas interações com o Hatake em momentos que nem esperava ser lembrado, ou notado.
“Dia em que ele me chamou de irresponsável na frente dos alunos. Ele estava certo. Eu estava atrasado.”
“Primeira vez que ele dormiu no sofá sem reclamar.”
“Eu percebi que estava ficando quando comecei a voltar.”
Iruka fechou o livro devagar. As mãos tremendo levemente, os olhos começando a embaçar e o desejo de que Kakashi estivesse ali, ao seu lado, observando cada reação que imaginava que iriam parar naquele livro em algum momento.
Sentou-se no sofá antes de voltar a abrir o livro, rindo das bobagens que haviam ali, coisas banais, como a forma que ele ajeitava as xícaras, ou como deixava seus matérias organizados.
Mas é nas páginas seguintes que o ar muda e as anotações parecem tomar um novo rumo. Se tornam mais íntimas, mais observados, mais… intensas.
“Ele franze o cenho quando está preocupado, mas tenta disfarçar dando bronca.”
Iruka para, olhando para a página amarelada com o coração acelerado. Ele não sabia que Kakashi percebia a diferença.
Vira mais uma página.
“Eu sempre deixa a luz da cozinha acesa quando eu saio antes dele. Finjo que esqueço. Nunca esqueci. Não percebe que é só para a casa não ficar escura demais quando ele acordar”
Os dedos de Iruka tremem levemente. Ele já havia brigado tantas vezes por isso e agora que entendia o motivo, lhe restava apenas sorrir e pensar que essa era a forma de Kakashi lembrar de si e dizer que se importa sem usar palavras.
Ele vira outra, querendo conhecer mais do homem que está ao seu lado e se ver, como ele o vê.
“Primeira vez que voltei ferido de uma missão e ele ficou acordado a noite inteira. Fingiu que era só zelo profissional.”
O sorriso dele vacila. Havia um trecho mais longo após, como se concluísse o anterior.
“Ele fala quando acha que eu estou dormindo. Coisas pequenas. Às vezes reclama que eu sou imprudente. Às vezes diz que eu devia me cuidar mais. Uma vez ele disse: ‘Você não precisa ser forte o tempo todo.’ Ele achou que eu não ouvi.”
Iruka fechou o livro por um segundo. Respirou fundo enquanto as lembranças daquele dia o invadia e só então, abriu de novo.
“Ele olha para mim como se estivesse tentando decorar meu rosto. Principalmente quando acha que eu não estou prestando atenção.”
O mundo ficou silencioso demais e ele só queria novamente, poder abraçar Kakashi. Voltou a encarar o livro e encontrou uma página dobrada no meio. A desdobrou com cuidado, o papel parecia mais fino que o demais, como se o jounnin pensasse se deveria ou não escrever e colocá-la ali. Era mais longa que a anterior.
“Dia em que ele ficou bravo porque eu voltei dois dias depois do prazo da missão. Ele passou dois minutos brigando comigo, pelo que me lembre. Depois segurou minha mão enquanto achava que eu estava inconsciente, senti suas lágrimas nela, mas não tinha forças para abrir os olhos ou sequer secá-las. Ele disse: ‘Eu não sei o que faria se você não voltasse.’ Prometi que sempre voltaria para ele”
Iruka sente o calor subir pelo rosto. Ele nunca disse aquilo esperando ser ouvido. Era só medo. Só amor mal escondido. Estavam juntos há algumas semanas e não esperava sentir aquilo quando ele se atrasou. Mesmo sabendo que era um ninja excepcional, não evitou a preocupação. Balançou a cabeça tentando afastar aquela lembrança e com os olhos embaçados, folheou o livro até chegar a última página escrita:
“Ele acha que cuida de mim sozinho”
“Ele não percebe que eu também escolhi ficar.”
Não havia datas, nem explicações, mas nem precisava, Iruka sabia quando havia acontecido cada uma daquelas situações. Ele murmurou um xingamento, apenas um “idiota” sussurrado entre lágrimas e sorrisos, pensando no quão dedicado, singelo e amoroso é aquele livro. Entre as páginas, ele encontra um marcador simples, solto entre as folhas.
“Para quando você achar que eu não presto atenção. H. K.”
Iruka fechou o livro e o levou até o peito, como se precisasse ancorar aquilo ali. Ele nunca imaginou que Kakashi estivesse vendo. Que estivesse ouvindo. Que estivesse guardando.
E, sabia que era um presente, para o Dia dos Namorados, mesmo que a data fosse realmente comemorada em alguns dias. Aquela comemoração parecia que deixaria ser uma data estranha.
E com isso, ele passou o resto do dia sorrindo sozinho sempre que lembrava do caderno. Ele leria tudo com calma quando chegasse em casa no final do dia.
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Kakashi retornou da missão na quarta-feira. Estava cansado, sem nenhum ferimento por sorte e tudo o que queria era a companhia de Iruka e saber o que havia achado do seu pequeno presente.
Chegou em casa e não se surpreendeu com o aroma que invadia o lugar, que o fez respirar fundo, fechar o olho e sentir que finalmente estava em seu lar. Não pelo local em si, mas por quem o aguardava.
Deixou o colete, a sandália e seus equipamentos, incluindo a sua bandana, próximos à porta e adentrou na residência e teve sua atenção atraída por algo que estava sobre a mesa. Ele re conheceu o objeto rapidamente.
Não havia decoração. Não havia discurso. Nem mesmo um bilhete.
Havia apenas uma bandana dobrada com precisão. A sua bandana, a primeira, que pensava ter perdido para sempre.
Ele tocou o tecido e percebeu imediatamente o que foi feito. Iruka havia a restaurado. Só podia ser ele, não tinha como se outra pessoa. Costuras reforçadas. O metal foi polido de uma forma que o símbolo de Konohagakure brilhava e seu reflexo podia ser visto com perfeição. O pano tratado com cuidado.
Ele sabe quanto tempo aquilo exigiu. Quando esforço e dedicação e sente seu coração se perder entre as batidas, se tornando errático, mas leve de alguma forma. Aquecido. Amado.
Ele a pega com cuidado, vira o tecido, prestando atenção aos mínimos detalhes. E encontra, por dentro, quase invisível, um símbolo discreto bordado à mão. Não é grande. Não é chamativo. Mas está ali, o símbolo do clã Hatake.
Kakashi ficou parado por tempo demais, a bandana nas mãos e o pensamentos indo do passado ao presente que só voltou a realidade ao sentir Iruka se aproximando. O Umino vinha da cozinha, fingindo normalidade, um pano sobre o ombro, roupas confortáveis, um leve sorriso ao notar o que o outro tem em mãos.
— Você mexeu nela. — Kakashi diz suavemente, a voz baixa, calma, os olhos não desviando de Iruka, que nem se incomoda com o Sharingan. Não havia acusação. Só surpresa. Uma agradável surpresa.
Iruka sustenta o olhar carinhoso, tentando demonstrar por aquele simples gesto que ama Kakashi.
— Eu cuidei dela. — corrigiu com carinho, se aproximando de Kakashi, segurando a mão e a bandana.
Eles não precisam de palavras para dizer o que sentem, mas está ali, nítido para ambos, claro como a água.
Kakashi amarrou a bandana novamente, devagar, com a ajuda de Iruka.
— Por mais que prefira você sem ela em casa, hoje posso abrir uma exceção. — brincou enquanto terminava de ajustar o que já estava perfeito.
Só então ele foi abraçado com força, retribuindo o gesto da mesma forma.
— Sei que não é muito, mas sei também o que ela significa para você. Não é apenas um pedaço de pano qualquer. Foi do seu pai e esteve com você nos melhores e piores momentos. Carrega sua história, um pedaço dela pelo menos.
— Obrigado, Iruka, por tudo.
— Eu também te vejo, Kakashi, mesmo quando não percebe — usou a frase do livro que ganhou, para mostrar que encontrou, leu e adorou o presente.
— Então o encontrou? — Iruka concordou com um aceno.
— Bem-vindo de volta, ‘Kashi. — finalmente cumprimentou o namorado.
— É bom estar de volta, Iru — o sensei sorriu ainda mais ao ver a máscara ser baixada e ser beijado logo em seguida.
O beijo foi apaixonado, misturado a saudade e amor que não conseguiam expressar em palavras. Quando se afastaram, o Umino informou que a comida estava pronta e teve como resposta uma leve provocação pedindo se não havia queimado.
Kakashi ganhou um leve tapa no peito antes de ser arrastado até a cozinha, sendo agraciado pelo sorriso do namorado e por suas conversas animadas sobre suas aulas, sobre Naruto e claro, sobre o livro, ficando ainda mais vermelho ao ouvir da boca do Hatake o que estava escrito nas páginas e uma garantia, que sempre teria novas adições.
Realmente a semana do Dia dos Namorados, estava se tornando ainda mais especial para eles, de uma forma que nem imaginaram que poderia ser.
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Durante o resto da semana, nada foi igual aos outros dias. sempre havia pequenos detalhes, pequenos presentes e surpresas vindo de um para o outro. Cada um com seu objetivo, com uma caracteriza que apenas eles entendiam.
Primeiro foi um protetor de livro artesanal feito por Kakashi para os materiais de Iruka. Ele o costurou com um tecido macio, mas resistente, com o símbolo da Folha bordado. Não ficou perfeito como o que Iruka fez em sua bandana do símbolo do seu clã, mas ficou apresentável. E ele jamais admitiria que ficou horas trabalhando naquilo, mesmo que o namorado soubesse.
Depois um jantar que deveria ser romântico, com Kakashi ensinando mais uma receita para Iruka. Ele pensou em aulas particulares, mas como o jounnin era bom cozinheiro, decidiu ele mesmo ser o instrutor. Tudo bem que o mascarado brincou dizendo que o namorado precisava aprender “ao menos um prato” decentemente. Foi um momento perfeito e único, que os aproximou ainda mais.
Nada preparou o Umino para receber aquelas fotos, dadas após terminar o jantar. Uma era uma foto rara do time 7, de Minato e seus alunos. Ele nem teve palavras para agradecer, apenas o abraçou com força. A outra era do Iruka sorrindo, tão espontâneo que Kakashi queria guardá-la só para si. Poderia ser algo simples, mas para o Umino significava que ela fazia parte do círculo mais íntimo de Kakashi. Um que poucas pessoas tinham acesso.
E teve ainda uma capa de leitura para os livros de Kakashi, especificamente os Icha-Icha. Ele nunca admitira que era apenas para ocultar o tipo de leitura que o outro tinha, mesmo que fosse encarado de forma acusatória pelo Hatake. Para desviar aquele olhar, empurrou contra o outro, o marcador que havia feito, onde tinha a frase “Para você não perder o capítulo… e nem a paciência”.
Houve ainda doces escondidos nas bolsas, bilhetes carinhosos, até mesmo almoço na sala de aula de Iruka na Academia, durante o intervalo. Beijos roubados entre os turnos no balcão de missão, jantar no Ichiraku, qualquer coisa que pudessem pensar para passar um momento juntos.
Nenhum dos dois mencionou o dia que se aproxima. Mesmo que ambos estivessem contando.
No entanto, nada naquela semana havia preparado Iruka para acordar sozinho justamente naquele dia.
Eles praticamente não se desgrudaram nos últimos dias. Iruka mal passou no próprio apartamento — como se, silenciosamente, estivesse testando a sensação de ficar. Como se quisesse ver se era confortável ocupar aquele espaço que antes era só de Kakashi.
E era. Talvez por isso doesse mais abrir os olhos e encontrar o outro lado da cama vazio.
O lençol ainda guardava vestígios de calor, mas as roupas espalhadas na noite anterior estavam dobradas sobre a cadeira. Organizadas demais para serem descuido.
A janela entreaberta deixava o vento entrar, e com ele uma suspeita fina, quase infantil. Iruka sentou-se devagar, segurando o tecido do lençol entre os dedos.
Nenhum bilhete. Nenhuma provocação preguiçosa. Nenhum “volto antes do almoço”. Ele respirou fundo.
Missões existiam. Chamados urgentes aconteciam. Kakashi era Hokage? Não. Mas era quase — no que dizia respeito à importância em campo. Era comum. Era esperado. Ainda assim…
Justamente hoje? Tsunade tinha um ótimo senso, mesmo sabendo que não tinha culpa, afinal missões não parariam, inimigos não se afastariam apenas porque ele queria passar o Dia dos Namorados com seu namorado.
Ele passou a mão pelo rosto, tentando afastar o aperto que começava a se formar em seu peito. Não era sobre a data, repetiu para si. Mas era. Após tudo o que aconteceu, não poderia ser hipócrita em negar.
Levantou-se sem muito ânimo, preparou o próprio café da manhã, visto que nem isso Kakashi havia feito.
— Foi algo urgente… só espero que ele fique bem — murmurou enquanto se sentava para comer, observando um pequeno embrulho no canto da mesa.
Sobre a mesa, cuidadosamente envolto em papel neutro, estava o presente que ele preparou. Mais um. O mais especial. Não era uma bandana desta vez, nem capa para livro. Era mais íntimo. Mais definitivo.
Iruka passou semanas organizando aquilo em silêncio: uma pequena chave nova, recém-copiada. Não do apartamento dele e sim da casa de Kakashi.
Pensou naquilo antes mesmo de começar a se preocupar com o Dia dos Namorados, ou talvez sua mente tenha pensando nisso, mas ignorou totalmente a data por não saber o que esperar dela. Mas agora, depois de tudo, tinha certeza de que era o presente ideal.
Junto do embrulho, tinha uma carta simples. Sem floreios. Sem metáforas elaboradas. Ele demorou dias para escrever porque não queria que parecesse pressão. Nem expectativa. Nem pedido disfarçado. Esperava não ser impulsivo ou prepotente, alguém que quer impor sua presença. Era apenas a verdade.
Pegou o envelope, lendo pela incontável vez, já havia decorado as poucas palavras, mas queria ter a certeza, que não havia exagerado ou deixado dúvidas sobre o que desejava. Na carta, dizia:
“Eu já passo mais tempo aqui do que no meu próprio apartamento. Não porque precise. Mas por que quero. Se você quiser também, eu posso parar de ir embora.”
Simples assim. Sem “morar juntos” escrito. Sem promessas eternas. Só a oferta de ficar.
Ele passou os dedos sobre a palavras, contornou o papel e o envelope mais uma vez antes de guardá-lo e deixá-lo junto à pequena caixa.
Talvez entregasse à noite. Se ele voltasse. Começou a rezar para acontecer.
O dia se arrastou com uma lentidão que o fazia querer arrancar os cabelos. Iruka tentou ocupar a mente — organizou papéis antigos, lavou a louça que não precisava ser lavada, abriu e fechou a janela duas vezes.
Quando já estava começando a aceitar que talvez visse Kakashi apenas no dia seguinte, se desse sorte, ouviu passos conhecidos do lado de fora.
Levantou-se apressado, num misto de alegria e ansiedade sobre o que a visita que chegava, significava. Ao abrir a porta, encontrou Pakkun sentado com a dignidade de quem claramente sabe mais do que deveria, além de estar vestido com algo que não era seu tradicional colete azul e sim com o que deveria ser um pequeno terno, feito sob medida para ele.
Iruka sorriu enquanto observava o pequeno pug, que tinha a feição ainda mais emburrada que o costume. Não parecia feliz com aquilo. Preso a coleira do ninken com uma fita vermelha, encontrou um cartão.
Iruka piscou, escondendo a risada com uma tosse, não queria irritar o cachorro, que poderia sumir sem lhe explicar nada.
— Não me diga que isso é uma missão classificada… — provocou, apenas para ver o pug estreitar os olhos em sua direção, numa clara ameaça que lhe morderia se continuasse com aquilo.
Pakkun bufou, em seguida rosnou a resposta.
— Se fosse, eu não estaria usando fita vermelha.
O Umino pegou o cartão, que tinha apenas uma palavra.
“Suba”.
Iruka soltou um suspiro quase resignado, devendo imaginar que Kakashi aprontaria uma daquelas. Se não o conhecesse, perguntaria para onde e nem teria resposta do mensageiro, pois Pakkun já havia desaparecido em uma nuvem de fumaça.
— Claro… porque ser direto nunca foi o forte dele. Mas agora, ele vai esperar. Vamos ver se ele gosta.
Iruka fechou a porta e sem pressa, foi se arrumar. Tomou um banho, escolheu uma roupa, que tinha levado pois imaginava que precisaria para algo naquele sentido. Pegou a pequena caixa e a carta e só então se dirigiu ao ponto mais alto de Konoha, o Monte dos Hokage.
Ele subiu esperando uma brincadeira, um Kakashi recém-chegado de uma missão ou apenas ele lá, sem nada, esperando o Umino apenas para apreciar as estrelas e a vila daquele ponto.
Porém, ao chegar, encontrou algo diferente, nada parecido com o que imaginava ou havia cogitado e sentiu os olhos arderem e o coração acelerar de uma forma gostosa.
Uma toalha xadrez vermelha torto, preso com pedras para não voar. Lanternas penduradas com nós visivelmente refeitos mais de uma vez. Uma cesta que parecia ter sido organizada por alguém que claramente consultou instruções e ignorou metade delas, mas ainda podia ver algumas das coisas que ambos gostavam e uma garrafa de saquê.
Nada estava perfeito. Mas tudo parecia ter sido pensado para ele. Para eles.
Kakashi ainda se mantinha de costas, observando vila e as luzes se acendem conforme a noite caia. Já havia sentido a presença de Iruka.
O vento bagunçava os cabelos prateados e quando ele se virou devagar, o Umino pode finalmente olhá-lo. Estava sem máscara, a bandana que havia restaurado cobrindo o Sharingan e por um segundo, pareceu nervoso.
Não aquele nervosismo leve que ele escondia com ironia. Algo mais exposto. Mais humano. Iruka queria beijá-lo ali, ignorando tudo a sua volta.
— Você demorou — disse Kakashi, quase automático, se aproximando do namorado.
— Eu subi uma montanha, Kakashi. E também, você sumiu. Nada mais justo do que te fazer esperar mais um pouco — revidou, mas com um sorriso.
O canto do olho visível dele suavizou enquanto pegava a mão de Iruka e a segurava com força. Os olhos não desviavam um centímetro. Não havia nada além deles ali, nada mais importava.
Houve um segundo de silêncio, antes de se beijarem, sorrindo entre o gesto. A mão de Kakashi mantinha Iruka próximo a si, como se tivesse medo que ele desaparecesse, ou fugisse.
— Eu queria te fazer uma surpresa e espero que goste e que não fique bravo pelo meu sumiço.
— Veremos se sua desculpa será boa e nem pense em falar que se perdeu nos caminhos da vida, ou que ajudou uma pobre velhinha. Conheço todas elas, seja criativo, querido.
— Prometo que não será nenhuma desculpa — garantiu Kakashi enquanto o levava até a toalha no chão.
Após comerem, conversarem um pouco, os dois estavam frente a frente quando o Hatake pegou a mão de Iruka mais uma vez e o ele podia senti-la tremer levemente.
— Eu pensei muito antes de fazer isso — começou, a voz mais baixa do que o habitual. — Pensei em não fazer. Pensei que talvez fosse cedo. Ou tarde. Ou desnecessário.
Iruka ficou imóvel, tantos cenários passando por sua mente, mas apenas esperou que ele continuasse.
Kakashi passou a mão livre pela nuca, um gesto antigo de desconforto, ou de vergonha. Iruka viu isso algumas vezes e não sabia o que esperar.
— Eu não sou… bom em dividir espaço. — Ele soltou um meio riso. — Não sou bom em dividir rotina. Nem silêncio. — pausou um segundo, aumentando a tensão. — E eu tive medo.
Aquilo fez Iruka prender a respiração. Kakashi dificilmente admitia medo.
— Medo de estragar algo que já é bom. Medo de você perceber que eu sou mais difícil do que parece. Medo de não saber como fazer isso direito. — se ajeitou na toalha, se aproximando de Iruka e pegando a outra mão, segurando-as enquanto fazia um leve carinho. — Mas eu também pensei em como a casa fica vazia quando você vai embora. Em como eu fico esperando o barulho da chave na porta. Em como… — ele hesitou, mas continuou — eu já estou vivendo como se você estivesse lá o tempo todo.
Soltou uma das mão para poder mexer na cesta e pegou o embrulho que entregou a Iruka e que não era grande.
O sensei desfez o embrulho e encontrou uma pequena caixa — parecida com a que ele próprio tinha — e em seu interior havia uma chave. Exatamente como a que carregava no bolso.
— Eu queria que você parasse de ir embora — disse, finalmente. — Não por causa da data, não por ser Dia dos Namorados. Não por impulso. Eu pensei nisso por semanas.
Kakashi o encarou e Iruka sustentou o olhar. Ele viu o namorado vulnerável, como nunca antes.
— Se você quiser… fica. Oficialmente.
O mundo pareceu suspenso por um segundo inteiro. O vento continuava. As lanternas balançavam. Konoha respirava lá embaixo. Mas ali, no alto, tudo era apenas aquilo.
Escolha.
Iruka ficou olhando para a pequena chave na caixa como se precisasse ter certeza de que era real. Ele abriu a boca. Fechou. Abriu de novo e então riu. Um som curto, nervoso demais para ser contido. Kakashi ficou tenso na mesma hora e o Umino rapidamente começou a se explicar.
— Você… pensou nisso por semanas?
Kakashi desviou o olhar por meio segundo, um leve rubor tomando conta de suas bochechas.
— Infelizmente.
— E sumiu hoje de manhã, durante o dia todo, para me deixar achando que tinha sido convocado para uma missão urgente?
— Dramaturgia — respondeu, sério demais para ser verdade. — Achei que combinava com a data.
Iruka balançou a cabeça, os olhos já brilhando.
— Você é impossível. — segurou o rosto com ambas as mãos e o beijou brevemente antes de se afastar.
— E ainda assim — Kakashi inclinou levemente a cabeça — você continua voltando.
Aquilo quase desmontou tudo. Quase fez Iruka desistir do que faria, mas precisava demonstrar que o outro não era o único com aquele pensamento.
Iruka respirou fundo. Então levou a mão ao bolso da própria jaqueta.
— Bom… — começou, tentando parecer casual e falhando miseravelmente, pois era encarado com desconfiança, ainda mais com a sobrancelha arqueada — já que estamos falando de decisões pensadas por semanas…
Ele tirou uma pequena caixa, do tamanho da que Kakashi o entregou e ele mesmo a desembrulhou e a abriu, tirando uma pequena chave presa a um fio simples.
Kakashi franziu o cenho, curioso sobre o objeto. Iruka abriu a mão, revelando-a.
— Eu mandei fazer uma cópia da sua.
Silêncio. Por dois segundos inteiros, Kakashi apenas piscou e o único som era os do farfalhar das folhas e o tilintar das lanternas balançando.
— Você invadiu minha casa oficialmente antes de eu sugerir?
— Eu ia entregar hoje à noite! — Iruka se defendeu, vermelho. — Com uma carta explicando que não era pressão e que você podia dizer não e que…
Kakashi começou a rir. Não aquele riso preguiçoso de provocação leve. Um riso genuíno que Iruka o acompanhou. Eram raras as vezes que o viu rir daquela forma
— Então você também pensou nisso por semanas.
Iruka cruzou os braços, fingindo dignidade.
— Eu sou organizado.
— Hm, sei...
Kakashi fechou a caixa da própria chave e pegou a que Iruka segurava, aproximando-a da outra.
Duas chaves. Iguais.
— Parece que estamos na mesma missão — murmurou.
Iruka soltou o ar devagar, como se só agora estivesse permitindo que o peso saísse dos ombros. Toda a tensão do sumiço repentino, do pedido de Kakashi, do seu próprio.
— Eu não queria te assustar.
— Eu estava assustado.
Eles se olharam. Sem ironia. Sem máscara. Apenas amor.
— Mas — Kakashi continuou — eu prefiro dividir o espaço com você do que continuar fingindo que a casa não é silenciosa demais quando você não está lá.
Iruka sorriu, mais tranquilo agora.
— Eu já estava praticamente morando lá.
— Eu sei.
— Como?
— Você reorganizou minha estante por ordem alfabética.
Iruka empalideceu.
— Foi instinto.
— Foi invasão.
Houve uma leve pausa, depois um sorriso. Então Kakashi se aproximou, encostando a testa na de Iruka por um breve segundo.
— Fica.
Não como pedido desesperado. Não como medo. Mas como escolha. Iruka entrelaçou os dedos nos dele.
— Eu já fiquei.
Kakashi inclinou a cabeça, um brilho provocador voltando aos poucos.
— Ótimo. Porque eu não estou planejando devolver a chave.
— Eu também não.
— Então acho que vamos ter que nos aturar.
Iruka sorriu daquele jeito que Kakashi descreveu no livro — como se estivesse tentando memorizar o momento.
— Missão permanente?
— Classificação S — Kakashi respondeu, antes de beijar Iruka mais uma vez.
O sensei foi deitado sobre a toalha com uma delicadeza que não combinava com a pressa que já começava a nascer.
As mãos que estavam nos ombros de Kakashi subiram devagar pelos braços, pelos cabelos prateados, puxando-o para mais perto — não como pedido, mas como decisão. Kakashi entendeu. Sempre entendia.
O primeiro beijo foi breve. O segundo, não.
A boca deslizou com intenção, explorando sem a habitual ironia. Desceu pelo queixo, traçou o contorno da mandíbula, demorou-se no pescoço. Iruka inspirou fundo, tentando conter o som que ainda assim escapou — baixo, quente, involuntário.
A mão de Kakashi apertou a cintura com firmeza, subindo pelas costelas, descendo de novo, como se estivesse memorizando o caminho. Quando deslizou até a coxa, a pressão foi suficiente para arrancar outro suspiro. As pernas se entrelaçaram.
O mundo lá embaixo — vila, lanternas, vento — começou a desaparecer mais uma vez.
Iruka arqueou levemente o corpo quando sentiu os lábios voltarem ao seu, agora mais lentos, mais profundos. Havia algo diferente ali. Não era apenas desejo. Era escolha. Era permanência. Os dedos de Iruka se fecharam nos fios prateados.
— Kakashi… — saiu como aviso frágil demais.
— Hm? — ele respondeu contra a pele quente, claramente sem intenção alguma de parar.
A mão dele subiu pela lateral do corpo de Iruka, firme, segura, possessiva no limite certo. O beijo ficou mais intenso. Mais urgente.
Por um segundo — um segundo perigoso — eles esqueceram completamente onde estavam. Foi Iruka quem abriu os olhos primeiro. O céu acima deles. O vento. A vila inteira alguns metros abaixo.
Ele segurou o rosto de Kakashi entre as mãos, afastando-o apenas o suficiente para recuperar o fôlego. Quase desistindo de ser sensato, ainda mais ao ver o estado do outro e o sentindo duro contra si.
— Nós estamos… no Monte dos Hokage.
Kakashi piscou, como se essa informação fosse extremamente inconveniente. Olhou ao redor, lento. Depois voltou o olhar para Iruka.
— Hm. E…
— E? — Iruka repetiu, incrédulo, ainda ofegante.
— Tecnicamente — Kakashi inclinou o rosto, roçando o nariz no dele de propósito — ninguém consegue nos ver desse ângulo.
— Kakashi.
— Estou apenas apresentando argumentos estratégicos.
Iruka quase riu, mas ainda estava vermelho demais.
— Isso é um monumento histórico.
— E nós estamos fazendo história.
O olhar dele desceu outra vez, lento, descaradamente apreciativo. Iruka empurrou o ombro dele de leve, embora não tivesse soltado completamente a camisa.
— Você é impossível. — repetiu e o Hatake começou a levar aquilo como elogio e até mesmo um inventivo.
Kakashi aproximou-se de novo, voz baixa contra o ouvido dele:
— E você estava puxando meu cabelo.
Iruka ficou ainda mais vermelho, mas não conseguia negar.
— Eu estava…
— E estava gostando — Kakashi sorriu daquele jeito torto, satisfeito demais consigo mesmo.
O Umino não respondeu, ainda mais ao sentir Kakashi se mover, fazendo o sensei fechar os olhos com força e apertar ainda mais o ombro alheio.
— Interromper uma missão no meio é considerado falha estratégica, sabia?
Iruka respirou fundo, tentando reorganizar pensamentos que já não estavam colaborando, e só então abriu os olhos para responder.
— Então considere isso uma retirada tática.
— Covarde. — retrucou Kakashi, beijando o pescoço de Iruka.
— Prudente.
Kakashi suspirou dramaticamente, mas apoiou a testa na de Iruka outra vez, agora mais calmo.
— Podemos continuar essa discussão em casa — murmurou.
Iruka sorriu, finalmente recuperando o controle.
— Nossa casa.
Kakashi parou. Só por um segundo. O suficiente para o desejo suavizar em algo ainda mais intenso.
— Nossa casa — repetiu.
E dessa vez o beijo que veio depois foi lento. Sem pressa. Apenas com uma promessa. Que aquele dia, era muitos mais que uma comemoração qualquer para casais apaixonados.
As lanternas continuavam tortas. O tapete estava ainda mais desalinhado. O restante da comida, provavelmente fria. Mas não ligavam.
Pela primeira vez, nenhum dos dois estava apenas visitando o espaço do outro. Estavam escolhendo ficar. Juntos.
E isso era mais íntimo do que qualquer data no calendário.
