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Mundos

Summary:

Assim como uma árvore tem vários galhos, o universo possui diversas realidades conectadas umas às outras.

A maçã não trazia apenas poder, mas também um conhecimento além do que se poderia suportar ou para o qual se estivesse preparado.

Bilhões de mundos começaram e terminaram de formas mais variadas do que alguém poderia imaginar.

E esse mundo não seria diferente.

Notes:

Link para a música 🔗

https://drive.google.com/file/d/1eh26cLvlokf4dYQTB6i9_9KsRAP06RHL/view?usp=drivesdk

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Chapter 1: Ouçam-me

Notes:

Outros trabalhos meus.

Sem perdão.
https://archiveofourown.org/works/59082838/chapters/150635185

Outra vida.
https://archiveofourown.org/works/62452852/chapters/159825478

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Chapter Text

No princípio, não havia nada.

Então, surgiu o Primeiro.

Por Sua vontade, a Criação começou. Por Seu comando, houve Luz. Por Seu desígnio, o vazio se preencheu.

O Cosmo, as estrelas e os mundos contidos nele refletiam o Seu desejo de mais.

E assim, a ordem da Criação se espalhou.

O nada já não reinava.

Nesta nova era da Criação, surgiram os primeiros seres vivos: Anjos.

Seres de luz, forjados a partir dos pensamentos do Primeiro, destinados a espalhar a vida. Eles contemplaram as obras do Criador, que se revelou como Yahweh, o Pai de Todos, e O reconheceram como o soberano de tudo.

Eras se passaram — ou algo próximo disso, já que o tempo ainda não existia.

Mas o desejo de criação de Yahweh não tinha fim. Ao observar os anjos, Seus primeiros filhos, Ele sentiu amor, mas também um vazio. Esses seres de luz eram imutáveis, perfeitos e eternos, mas incapazes de evoluir. Isso não era o que Ele desejava para o restante de Sua obra.

Então, Yahweh criou a Terra.

Ele declarou que aquele seria o ponto mais importante da Criação. Acima dela, fez o Céu e disse a Seus filhos que, daquele lugar elevado, poderiam observar e cuidar do mundo — um lugar que, um dia, também seria o lar deles, quando estivessem prontos para aprender.

No início, os anjos não entenderam completamente, mas obedeceram a seu Pai. Ao verem a vida brotar no planeta, apaixonaram-se por ela.

Era algo belo, tão belo que nem mesmo as estrelas ou o vasto Cosmo podiam se comparar. Afinal, o que era a luz constante do universo diante de uma semente que podia gerar vida verdejante? Nada.

E isso se tornava mais evidente à medida que novas criaturas surgiam.

Mas ainda não era suficiente. Essas criaturas — os animais —, embora maravilhosas, não eram como os anjos. Não possuíam a capacidade plena de pensar, criar e amar.

Yahweh se perguntou: Poderiam evoluir?

Sim. Mas ainda não era isso que Ele buscava

Então, Deus criou a Humanidade.

Adão e Lilith.


 

O silêncio.

Para Eva, aquele conceito era estranho. Desde sua criação, raras vezes ele a alcançou.

A primeira vez foi quando ela comeu a maçã, amaldiçoando a Criação. E tudo a sua volta sumiu por um momento.

A segunda foi quando perdeu seu filho.

Desde então, o silêncio parecia alheio a ela. Eva sempre ouviu os sussurros do sofrimento humano.

Ela sabia, a cada momento, quantas pessoas sentiam fome, quantos pais e mães choravam pelos filhos arrancados de seus braços cedo demais. Ela ouvia o clamor das mulheres forçadas a se deitarem com quem não amavam. Os gritos de socorro de alguém à beira da morte. O primeiro choro de um bebê que custara a vida de sua mãe. E as lágrimas silenciosas de um pai que perdera o amor da sua vida.

Eva ouvia tudo isso. E, diante dessas dores, ela sorria, oferecendo conforto em sua presença silenciosa.

Mas agora?

Agora, não havia nada.

A única coisa que preenchia seus ouvidos eram suas próprias lágrimas. Seu coração despedaçado pela dor da perda.

Adão estava morto.

Morto pelas ações da filha da mentira e do engano. Mais uma vez, os Morningstar haviam lhe causado sofrimento. Mais uma vez, suas lágrimas não tinham peso para aqueles que a feriram.

Agora, sentada no conselho do Céu, Eva ouvia os anjos discutirem sobre uma alma redimida, como se essa questão fosse a mais importante. Como se a morte de Adão fosse irrelevante.

E todos os milênios em que ele defendeu o Céu? Todo o sangue que ele derramou para garantir que o horror de outra guerra com o Inferno nunca mais retornasse?

Nada disso importava?

Por quê? Por quê? POR QUÊ?

Por causa de suas palavras rudes? Seus momentos de impulsividade? Seus apelidos grosseiros?

Ridículo.

Adão podia ser rude, sim, mas isso justificava o descaso? A indiferença com sua morte? Com o sacrifício de seus subordinados?

Não.

Eva estava cansada. Ela seria ouvida.

Todos no Céu, e no Inferno ouviriam sua voz.

Levantando-se, a mãe da humanidade deixou o tribunal. Sua presença, sempre silenciosa, passou despercebida por todos.

Caminhando com determinação rumo ao seu destino, Eva cruzou com incontáveis almas e anjos. Mas, como uma sombra, ninguém a notou. Ninguém desviou o olhar para a ela que avançava com passos firmes.

Ela seguiu até o quartel dos Exorcistas, onde seu marido passara tantas eras, defendendo o Céu e a Criação. O local estava vazio.

Centenas de exorcistas estavam mortos. Outros tantos lutavam pela vida nas mãos dos curandeiros celestiais. Aqueles que ainda podiam se mover permaneciam ao lado de seus companheiros feridos.

Nada estava no caminho de Eva.

E mesmo que estivesse, ela sabia que ninguém teria força para impedi-la naquele momento.

Dentro do escritório de Adão, Eva encontrou o que procurava.

Sob uma pintura de Adão — presente de uma de suas filhas no Dia dos Pais, há séculos —, havia uma estante repleta de guitarras e violões. Instrumentos que ele colecionava, presentes dos filhos ao longo das eras. E entre eles, havia um suporte duplo.

Um dos lugares estava vazio. Ali, faltava a guitarra de Adão, levada com ele em sua última missão. No outro suporte, repousava um pequeno violão de madeira, simples, menor do que o necessário para um homem da estatura de seu marido.

Porque aquele violão não pertencia a Adão. Pertencia a Eva.

Sempre ficava ali, ao lado da guitarra dele. Era tradição, iniciada por Adão, que insistira:

"Assim, sempre terei sua companhia, mesmo nos momentos mais chatos."

Um sorriso leve brincou nos lábios de Eva ao recordar as palavras de seu marido. Ele sempre dizia essas coisas. Bobagens doces, mas que aqueciam seu coração.

Se ele queria sua companhia, ela jamais se importava de ficar ao lado dele. Mesmo que fosse apenas para ficar em silêncio, sem fazer nada. *A presença dele bastava.*

Mas agora…

Segurando o violão em suas mãos, Eva olhou para o suporte vazio. A ausência da guitarra de Adão era uma realidade cruel. Ela sabia que ele não voltaria. Não haveria mais violão e guitarra lado a lado.

O sorriso desapareceu de seu rosto.

Ela estava sozinha.

Pela primeira vez em eras, Eva tocou uma nota em seu violão. A melodia soou tímida, quase como se o instrumento também lamentasse o tempo que ficou em silêncio e a falta de seu companheiro.

Deixando o peso da solidão envolvê-la, Eva fechou os olhos. Sua mente sabia qual música deveria cantar.

E com sua música, Eva faria o que ninguém esperava: romperia seu tão longo silêncio.


 

Charlie estava radiante.

Seu hotel havia sido reconstruído! Com a ajuda de seu pai e de seus amigos, o sonho que um dia parecia perdido agora estava de pé novamente — melhor do que nunca.

Era maravilhoso!

Apesar das dificuldades e perdas dos últimos dias, ver pecadores cada vez mais interessados no hotel era algo que ela jamais imaginara fora de seus sonhos mais loucos. Mas agora, era realidade.

Com 12 hóspedes, o hotel estava prosperando de forma que Charlie nunca acreditou ser possível.

Porém, mesmo com o sucesso, as preocupações não desapareciam.

A luta com os exorcistas e Adão havia terminado, mas o Céu permanecia em silêncio absoluto. Nenhuma palavra. Nenhum sinal. Era algo que inquietava Charlie profundamente.

Embora seu pai garantisse que tudo ficaria bem, ela não conseguia afastar a sensação de que algo estava prestes a acontecer.

E então, aconteceu.

Uma melodia distante soou.

Era difícil identificar de onde vinha, mas o som era claro o suficiente para ser ouvido por cada pecador em todo o Inferno.

Um sentimento estranho espalhou-se pelos habitantes. Era como se um sussurro familiar ecoasse em seus ouvidos, sem palavras que pudessem ser compreendidas, mas carregado de algo que todos, de alguma forma, reconheciam.

Surpresa, Charlie desceu até o hall do hotel, encontrando seus amigos se reunindo ali, guiados pela mesma música. Até seu pai estava presente.

Nenhuma palavra foi necessária. As expressões confusas de todos eram suficientes para transmitir a mensagem: ninguém sabia o que estava acontecendo, mas todos estavam ali, atraídos pela melodia misteriosa.

Vaggie, ao ver Charlie, correu até ela imediatamente.

"Charlie! Que bom que você está bem. Essa melodia... É tão estranha. Fiquei preocupada que algo pudesse ter acontecido com você."

Descendo as escadas, Charlie abraçou Vaggie, tentando acalmá-la. Ela sabia o quanto a namorada estava preocupada nos últimos dias, especialmente após tudo o que haviam enfrentado.

"Eu estou bem," respondeu Charlie, suavemente. "Mas confusa com esse som."

Virando-se para seus amigos, ela os examinou, aliviada ao ver que todos pareciam estar bem.

"Será que todos começaram a ouvir essa música ao mesmo tempo?"

"Acho que sim," reclamou Husk, enquanto girava o dedo dentro do ouvido, como se quisesse se livrar do som. "Eu estava no bar com a Niffty e o Angel, e parece que eles ouviram exatamente no mesmo instante que eu."

Niffty confirmou com um aceno rápido, enquanto Angel Dust se aproximava, colocando a mão no braço de Husk.

"Oh, sim, posso confirmar," disse Angel, sorrindo de maneira travessa. "No começo, achei que o Husky tinha me dado uma dose bem forte. Sabe, pra me deixar no clima. Achei que ele finalmente tinha aceitado minha proposta."

Husk bufou, afastando a mão de Angel com uma patada.
"Apenas nos seus sonhos."

Angel piscou, rindo com malícia.
"Oh, é claro, querido. Nos meus sonhos mais quentes, você está sempre lá, gatinho."

A expressão de desgosto de Husk deixou claro o que ele pensava sobre aquilo.

Enquanto Charlie observava a troca entre eles, a melodia misteriosa parecia se intensificar. Ela sabia que algo importante estava acontecendo, algo que poderia mudar tudo.

E o som… era impossível ignorar.

E a melodia, antes um sussurro quase imperceptível, agora estava se tornando cada vez mais alta. Não era mais um som distante.

Charlie, preocupada, olhou ao redor, buscando qualquer sinal do que poderia estar causando aquilo. Foi então que viu seu pai parado na entrada do hotel, imóvel.

Ela sequer percebeu quando ele se moveu para lá. Aproximando-se lentamente, chamou por ele.

"Pai?"

Ele não respondeu de imediato. Seus olhos estavam fixos em um ponto acima, o rosto tomado por uma expressão que ela raramente via: um misto de saudade e melancolia.

"O que... o que o senhor está olhando?"

Sem virar o rosto, ele respondeu com a voz baixa, quase vacilante:
"Casa... Cha-Cha. Eu... eu não vejo minha casa há tanto tempo."

Charlie parou no lugar. "Casa?"
Eles já estavam em casa. Certo?

Confusa, ela finalmente chegou à entrada do hotel e olhou na direção para onde ele apontava.

E foi então que aconteceu.

Ela não sabia se foi ela que deixou escapar um grito silencioso de surpresa ou outra pessoa, mas quem poderia culpá-la? Acima de suas cabeças, onde antes estava o céu vermelho-sangue habitual do Inferno, com suas nuvens de chuva ácida, algo totalmente diferente havia surgido.

Não era o céu normal que o via todos os dias nem mesmo o céu humano.

Não.

Era o Céu.

O verdadeiro Céu.

O reino celestial, onde anjos e almas dos justos residiam, estava visível, brilhando com uma luz inconfundível.

Como isso era possível?

Charlie não sabia dizer, mas percebeu algo ainda mais inquietante: o Inferno estava incrivelmente quieto.

Ao longe, nas ruas, ela conseguia ver pecadores parados, todos com a cabeça inclinada para cima, encarando a visão do Céu. E, acima deles, anjos olhavam de volta, igualmente surpresos, como se estivessem tão confusos quanto os habitantes do Inferno.

Se nem mesmo os anjos sabiam o que estava acontecendo, o que poderia ter causado aquilo?

Mas para Charlie, aquele momento parecia um sonho. Um sonho bom.

Laços que se pensavam perdidos estavam se refazendo. Céu e Inferno, finalmente se conectando. Era incrível, não?

Atrás de Charlie, os ocupantes do hotel também saíram para olhar. As reações eram iguais às das outras almas: surpresa, descrença, confusão e medo.

Então, os gritos começaram.

Entre eles, Angel Dust foi o primeiro a reagir de maneira mais intensa.

Ele deixou escapar um som estrangulado, um choramingo desesperado, enquanto cobria os olhos com as mãos.

"Não! Isso não é verdade! É tudo um sonho, e... e quando eu acordar, nada disso terá acontecido!"
A voz dele tremia, carregada de uma dor evidente, que fez todos ao seu redor pararem.

Preocupada, Cherry Bomb tentou se aproximar. "Angel, calma! O que está acontecendo? Fala comigo!"

Mas ele a afastou com um gesto brusco, as lágrimas escorrendo pelo rosto.

"Ela não pode estar aqui!" ele gritou, o tom agora beirando o desespero. "Isso é mentira! Mentira, mentira, mentira... Uma mentira cruel! Ela não pode estar aqui!"

Ninguém entendia o que Angel Dust queria dizer. Cherry olhou para os outros em busca de ajuda, mas todos pareciam igualmente perdidos.

"Do que ele está falando?" murmurou Vaggie, com o olhar confuso.

"Eu... eu não sei!" Cherry exclamou, claramente frustrada e preocupada com o amigo.

Angel Dust continuava chorando, suas lamentações crescendo em intensidade. Entre os soluços, um nome ecoou no ar:

"Molly."

Vaggie franziu a testa, surpresa.
"Molly? Mas... Molly não é o nome da..."

"Irmã do Angel," Husk completou, a voz rouca e distante. Ele não tirava os olhos de um ponto específico no céu.

Seguindo o olhar dele, Charlie percebeu que Husk estava encarando algo — ou alguém. Seu semblante endurecido contrastava com o leve tremor em suas mãos.

"Ele está lá," Ele murmurou, quase inaudível.

Ele via ali, entre as almas no Céu, o rosto da freira que o criou no orfanato. A mulher que, para ele, era a única figura materna que já conheceu. E ela não estava sozinha.

Próximos a ela, estavam os rostos de outras pessoas que ele reconhecia: crianças do orfanato, agora adultos marcados pelo tempo, que olhavam para o Inferno com expressões de choque e tristeza.

Mas o golpe mais profundo foi outro rosto.

Mark.

O homem que foi seu irmão de coração. Aquele que cresceu ao seu lado, nunca sendo adotado como ele, mas que tinha um espírito inquebrável. Mark era um sonhador, alguém que queria construir algo juntos, e foi ele quem junto de Husk criou o bar que Husk acabou tomando para si.

Engolindo em seco, lembrando da última vez que viu Mark. Da sua traição para seu irmão, das palavras frias, e da forma como tinha deixado Mark com apenas algumas centenas de dólares e um desejo vazio de sorte.

Mas agora Mark estava ali, olhando para ele. Não havia raiva em seus olhos, apenas uma tristeza que perfurava a alma de Husk.

Ele desviou o olhar, o peito pesado de arrependimento. "Ridículo," murmurou para si mesmo. "Ele não deveria estar olhando pra mim... Eu mereço isso."

Enquanto isso, Angel Dust tremia, recusando-se a olhar para cima.
"Ela não pode estar aqui... não pode..." repetia, a voz embargada.

Cherry Bomb tentou novamente se aproximar, mas ele a afastou, cobrindo o rosto com as mãos.

"Molly não pode me ver assim! Não ela! Não minha irmã!"

Charlie finalmente sentiu o peso do momento. Para muitos no Inferno, aquela visão não era um reencontro abençoado. Era uma maldição, uma exposição cruel de seus piores erros.

E não era apenas Angel ou Husk.

Por todo o Inferno, pecadores encaravam rostos familiares no Céu. Para alguns, era a visão de filhos que haviam decepcionado. Para outros, amantes que haviam traído. Amizades destruídas, famílias desfeitas, vidas marcadas pelo caos e pela dor.

Mas não eram apenas os pecadores que sentiam o impacto.

No Céu, muitos dos anjos e almas humanas reagiam com choque e pavor ao ver os habitantes do Inferno. Para alguns, era o horror de reconhecer seus algozes, aqueles que haviam causado sua morte ou arruinado suas vidas na Terra.

Os murmúrios cresceram em intensidade, e logo se transformaram em gritos. Do Céu, maldições eram lançadas, enquanto as almas exigiam saber por que o Inferno estava tão próximo.

"Por que eles podem nos ver?!"

"Não! Eles não podem estar aqui!"

"Afaste-os de nós!"

No Inferno, o caos também começou a se instalar. Alguns pecadores gritavam de volta, furiosos com as acusações vindas do Céu. Outros choravam, devastados pelas reações de parentes e amigos.

Charlie, parada na entrada do hotel, assistia a tudo com um nó na garganta.

Por tanto tempo, ela sonhara com o dia em que Céu e Inferno pudessem se reconciliar. Almas se reencontrando, laços se reconstituindo, feridas sendo curadas.

Mas aquilo não era redenção.

Era caos.

E, enquanto o Céu e o Inferno se enfrentavam de maneira tão visceral, a melodia continuava tocando, como um pano de fundo para a destruição emocional que tomava conta dos dois reinos.

Lá em cima, no Céu, Seras estava estática.

Seu corpo não se movia, tão rígida que parecia uma estátua. Ao seu redor, os gritos dos recém-chegados e de alguns anjos mais antigos se tornavam cada vez mais ensurdecedores.

Até que seus olhos pousaram no Hotel Hazbin.

E lá, ela viu seu irmão, Lúcifer, parado, tão imóvel quanto ela, olhando para o Céu.

Uma fúria desconhecida a tomou.

O que ele estava fazendo?!

Isso era obra dele? Tornar o Céu visível para o Inferno?
Abrir os portões para que os demônios os invadissem?

Não!

Abrindo suas asas, Seras se lançou para baixo. Pela primeira vez em milênios, ela desceu ao Inferno.

Lá embaixo, Charlie trocou um olhar preocupado com os outros, sem saber como ajudar Angel. 

Cherry Bomb segurava os ombros de Angel Dust, tentando trazer seu amigo de volta à realidade.

"Angel, respira! Você precisa se acalmar!"

Mas ele só balançava a cabeça, soluçando. "Ela não pode me ver assim! Eu não queria que ela me visse assim!"

Aquilo deixou todos preocupados.
Eles conheciam Angel Dust o suficiente para saber que, apesar de tudo, ele sempre manteve uma fachada de confiança e irreverência. Vê-lo assim, tão frágil, partia o coração de todos.

Mas, antes que pudesse dizer algo, uma luz cortou o céu, descendo como um cometa em chamas.

O brilho era tão intenso que muitos pecadores gritaram, recuando como se a própria luz os queimasse. Alguns se encolheram no chão, protegendo os olhos, enquanto outros tremiam, um medo instintivo se espalhando pelo ar.

A luz caiu no centro da cidade com um estrondo ensurdecedor. O impacto fez o chão tremer, janelas estilhaçarem, e um vento ardente varreu as ruas do Inferno.

Quando o brilho começou a se dissipar, Charlie pôde ver uma figura emergindo da cratera.

Seras.

Suas asas enormes ainda brilhavam, irradiando poder. Seu olhar era afiado como lâminas, e sua presença fazia o próprio ar pesar.

Charlie sentiu um frio na espinha.

Ela nunca tinha visto um anjo tão furioso.

Em frente ao hotel, com uma expressão de pura fúria, Seras gritou:

"LÚCIFER!"

Sem hesitar, avançou contra o irmão caído. Lúcifer mal teve tempo de reagir antes que ela o agarrasse pelo pescoço e o erguesse do chão.

"Vou perguntar apenas uma vez." A voz dela era um rosnado. **"O que você pensa que está fazendo?"**

Lúcifer tentou se soltar, usando seus poderes, mas o aperto de Seras apenas se intensificou. A energia dela queimava sua pele, fazendo-o se contorcer de dor.

"N-não... co-consigo... res-respirar..." Ele conseguiu balbuciar.

Seras o olhou com puro desprezo antes de soltá-lo bruscamente. Lúcifer caiu no chão, engasgando e tentando recuperar o fôlego, mas ela não lhe deu tempo. Com um movimento rápido, pisou com força sobre seu abdômen, fazendo-o grunhir de dor.

"Não pense que pode fugir da minha pergunta, traidor." A voz dela era afiada como uma lâmina. "Eu perguntei o que você pensa que está fazendo!"

Mais atrás, Charlie gritou em desespero:

"PAI!"

Sem pensar, correu na direção dele para ajudá-lo.

"Charlie, não!" Lúcifer tentou avisá-la, a voz carregada de urgência.

"Mas... Pai!" Ela hesitou, assustada com o estado dele.

Ele tossiu e forçou-se a erguer a cabeça para olhá-la.

"Não se aproxime! É perigoso!"

Charlie parou no meio do caminho, hesitando. Nunca tinha visto seu pai daquele jeito—fraco, ofegante, e... assustado?

Ela olhou para Seras, que continuava a encarar Lúcifer com puro desprezo. A fúria dela era avassaladora, quase tangível.

Lúcifer tentou se levantar, mas Seras pressionou o pé em sua barriga, forçando-o de volta ao chão.

"Eu fiz uma pergunta, Lúcifer." A voz dela era fria, impiedosa.

Lúcifer tossiu, o corpo tremendo sob a pressão da energia dela. "Eu... não fiz nada!"

Seras apertou os olhos. "Mentiroso."

Charlie sentiu seu coração disparar.

"Por favor, pare!" Ela implorou, a voz vacilando. "Ele não fez nada! Nós também não sabemos o que está acontecendo!"

Seras desviou o olhar para Charlie por um breve instante. O rosto dela não mostrava nem um traço de empatia.

"Então quem fez?" Seras rosnou. "Porque alguém abriu as portas entre o Céu e o Inferno, e você não tem ideia do que isso pode causar!"

Charlie engoliu seco. Ela também não sabia. Mas... se nem seu pai era o responsável, quem era?

"Fui eu."

A voz soou quase como uma melodia, fundindo-se com a música que ecoava tanto no Inferno quanto no Céu.

Charlie, assustada, procurou a origem da voz. Seu olhar percorreu o horizonte até encontrar algo no último lugar onde imaginaria.

Seu hotel.

Mais precisamente, no telhado.

Lá, sentada com um violão de madeira no colo, estava uma mulher. Seus longos cabelos vermelhos espalhavam-se ao redor, quase ocultando seu corpo. No entanto, o vestido preto que usava destacava-se contra a cascata de fios escarlates.

Ela era linda.

"Quem..." Charlie começou a perguntar, mas outra voz se adiantou.

"Eva?" Seras murmurou, surpresa ao vê-la ali. "O que você faz aqui?"

Eva apenas sorriu. Seus dedos deslizaram suavemente pelas cordas do violão, arrancando outra nota. O som reverberou pelo Inferno, e os pecadores gritaram em agonia. Mãos se ergueram às cabeças, como se seus crânios estivessem rachando ao meio.

Seras recuou, alarmada.

"Acho que você não me ouviu." Disse Eva, ainda sorrindo. "Fui eu."

Ela segurou o violão com mais firmeza, os olhos cintilando com algo indescritível.

"Eu sou a responsável pela música que o Inferno ouve. Sou a responsável por Céu e Inferno poderem se ver."

O silêncio caiu.

"O quê?"

Seras não era a única perplexa. Mesmo que Eva tivesse falado num sussurro, todos podiam ouvi-la.

E todos se perguntavam por quê?

No meio deles, Charlie sentia o mesmo. Seu coração martelava no peito. Aquela era Eva.

E, ainda mais chocante que isso, era o que ela acabara de afirmar.

"Eva..." Seras sussurrou, os olhos arregalados. "Você..."

Tirando o pé de cima de Lúcifer, ela se virou para encarar a mulher.

"Eu?" Eva arqueou uma sobrancelha. "O que foi, Seras? Você quer perguntar por que eu estou fazendo isso?"

Ela riu suavemente, balançando a cabeça.

"Que irônico... Essa é a pergunta que todos estão fazendo, não é?"

"Eva! Isso não faz sentido!" Seras gritou, o tom carregado de frustração. "Você está colocando o Céu em risco! Você enlouqueceu?"

Eva suspirou, parecendo triste.

"Enlouqueci?" Ela olhou para Seras com algo próximo à pena. "Seras, você... realmente não entende, não é?"

"Qu-que po-porra é e-essa...?" A voz de Lúcifer saiu rouca e fraca. Com dificuldade, ele se ergueu, ainda segurando o peito, sentindo dores ainda. "Eva..."

Eva o observou com desdém antes de responder.

"Lúcifer. É um desprazer ver você novamente."

Ficando em pé no telhado, ela ergueu o rosto para o Céu.

"Estou cansada de todos me perguntarem minhas razões, então agora... todos vão me ouvir."

Seus dedos tocaram um novo acorde no violão celestial, e o som que se espalhou carregava um peso imensurável.

Os pecadores e até mesmo alguns anjos sentiram suas forças falharem. Joelhos cederam, e muitos caíram no chão, como se o próprio peso de suas almas fosse esmagado pela melodia.

"Pela última vez... tiraram alguém de mim."

"P-por e-ele?" Lúcifer perguntou, a expressão carregada de confusão. "I-isso é sobre Adão?"

O modo como a Estrela Caída falava de seu marido irritou Eva profundamente. Como se Adão não importasse. Como se fosse um absurdo que ela, sua esposa, desejasse vingá-lo.

Mas, como sempre, Lúcifer não ouvia sua voz.

Ele podia ouvir palavras, mas será que realmente a escutava? 

Não.

Era sempre sobre o que ele achava que ela queria.

Mas agora?

Agora ele iria escutar.

Todos iriam ouvir sua voz.

[Verso 1]

Fui quieta e silenciosa, sempre nas sombras
Ouvi seus comandos sem questionar
Agora é hora de gritar, tomar meu lugar
Usei minha vida pra corrigir meus erros
Sorrindo e sempre fingindo, enquanto a dor me consumia
Fingindo que não via a decepção em seus olhos
Mas agora, é hora de você ouvir!

A voz de Eva era calma e gentil, mas ecoava como um trovão.

Seus olhos se voltaram para o céu, onde avistou todos os anciãos.

Os anjos do Éden.

Seus criadores.

[Refrão]

Porque eu nunca disse uma palavra
Agora, É MELHOR VOCÊ ME OUVIR!
Está alto o suficiente?
Ninguém mais falará de mim
Ouçam bem, não há mais mentiras
Minha voz ecoa agora, vai doer
Vocês conseguem sentir a dor dessas almas??

Um acorde alto caiu.

Sua voz era como um grito, mesmo que saísse quase como um sussurro.

As almas humanas no Céu estavam assustadas, mas, a cada momento que se passava ouvindo aquela melodia, algo dentro delas despertava.

Aquela música era para eles?

[Verso 2]

Está alto o suficiente?
Chegou o momento de se calarem
E de ouvir o que foi abafado
Está na hora de vocês ouvirem suas vozes
Eles ainda te amam, lá no alto
Mesmo que tenha os traído, os machucado
Deixando marcas e cicatrizes
Mas eu sofri em silêncio...

A dor era insuportável.

Os corpos dos pecadores doíam, mas algo dentro de suas almas os feria ainda mais.

Virando seus rostos para o Céu, imploravam para que a canção parasse.

Suas almas sentiam uma dor indescritível.

E, quando encontraram os olhos daqueles que mais amavam, muitos choraram lágrimas de sangue.

Agora eles sabiam.

A dor que sentiam não vinha apenas da música, não vinha apenas do ataque à sua essência demoníaca.

Era a dor que causaram nas pessoas.

O mais afetado de todos foi Lúcifer.

Aquela melodia carregava o peso de todos os seus erros.

A cada palavra de Eva, era como se algo se infiltrasse em sua mente, queimando sua alma.

Caindo no chão, Lúcifer gritou.

Ele não queria escutar.

Ele não queria lembrar de sua família, de seus irmãos.

Aquelas palavras eram mentiras!

Lúcifer sabia.

Eles o odiavam!

...Não odiavam?

[Pré-refrão]

Você obteve tudo sem pagar o preço
Sua sede de poder não tem fim
E quanto a mim? O que restou?
Você nunca quis saber o que eu almejava
Minha voz não importava, eu era invisível
Viu nosso amor e o ignorou sem pena!

Gritos de dor escaparam dos lábios de Lúcifer.

Aquilo não era verdade!

Não podia ser!

Tudo o que ele fez... Foi pelo bem da Humanidade!**

Ele não era o monstro que Eva dizia!


Ele não queria que tudo terminasse daquele jeito.

Como ele poderia saber?

Como poderia adivinhar que a maçã carregava o mal?

"TUDO O QUE EU FIZ FOI PARA AJUDAR!"

"A HUMANIDADE MERECIA O LIVRE-ARBÍTRIO!"

"EVA MERECIA LIBERDADE!"

"ATÉ ADÃO MERECIA!"

Mas sua voz se perdeu no vazio.

Dessa vez ninguém ouviu suas palavras.
Ninguém ouviu suas Mentiras

[Refrão]

É melhor vocês ouvirem!
Eu nunca disse uma palavra
Agora, É MELHOR ESCUTAR!
Está alto o suficiente?
Porque todos saberão
Ouçam bem, todos saberão
Ouçam, conseguem ouvir as vozes?
Das alturas, os clamores se levantam
Está alto o suficiente?

Ao longe, Charlie observava seu pai sofrer.

Os gritos dele... os gritos de seus amigos... ecoavam em seus ouvidos.

Ela quis se levantar. Quis fazer algo.

Mas uma dor profunda a impedia.

Era como se partes dela estivessem sendo arrancadas.

Ela olhou para baixo.

E por um momento, ela poderia jurar que seu corpo estava coberto de marcas de mordidas, com pedaços de si mesmas dilacerados e arrancados.

E ela não era a única a sentir aquela dor.

Vaggie tentou correr até Charlie.
Tentou ao menos se mover.
Mas não conseguiu.

A dor em suas costas era insuportável.

Nem quando suas asas foram arrancadas... ela sentiu tanto sofrimento.

Ela caiu no chão.

Foi então que sentiu uma mão segurar sua perna.

Por um breve instante, achou que fosse alguém do hotel.

Mas logo percebeu que não era.

Murmúrios e gritos ecoaram ao seu redor.

Suplicas de misericórdia.
Rugidos de raiva.

Ela conhecia aquelas vozes.

Eram delas.

As exorcistas.

As suas irmãs.

E ali, bem diante dela, estavam os rostos de cada uma delas.

As que morreram no ataque contra o hotel.

No céu, a música continuava.

E as vozes das almas humanas se uniram ao coro.

Algumas choravam por aqueles que amavam.
Mas muitas... muitas, enfim, libertavam toda a dor que carregaram em vida.

Lá estavam seus agressores, assediadores, assassinos.
Os estupradores.
Os donos do chicote que outrora abriu suas costas em feridas.
Os enganadores, traidores.

Os que lhes roubaram a esperança.

E, por fim...

Os pecadores os ouviam.

E finalmente, sentiram a dor que causaram.

Finalmente, haveria Justiça.

[Ponte]

Eu não vou mais me calar, agora é hora de ouvir!
Vocês fecharam os olhos, fizeram vista grossa
Era sua obrigação nos proteger
Como ousam silenciar o nosso sofrimento?
Éramos apenas crianças sob seu olhar
Eu provoquei tudo, reconheço meu erro
Mas o tempo de pagar meus pecados já se foi
E agora, a justiça cai sobre todos no inferno!

No final, não havia nada que ninguém no Inferno pudesse fazer.

Os anjos, independente de sua posição ou poder, também não conseguiam agir.

Todos assistiam.

Atônitos.

E então...

Correntes grossas, presas a grilhões pesados, surgiram no ar e se prenderam aos pecadores.

Cada um.

Cada corrente representava um pecado.
Cada grilhão carregava o peso da culpa em suas almas.

O castigo finalmente havia chegado ao Inferno.

E agora...

Diante de Lúcifer...

Eva o encarava.

"Meus filhos gritam aos pecadores os crimes que cometeram... Mas você?"

Ela o observou.

"Eu não preciso. Você nunca me escutou. Mas hoje, Lúcifer, você vai ouvir."

"Você mentiu."

Uma corrente se enroscou no pescoço de Lúcifer.

"Me enganou e me manipulou."

Correntes se prenderam em seus braços.

"Me machucou... e machucou meu marido."

Agora, elas envolveram suas pernas.

"Você trouxe o mal para o mundo e **nunca** admitiu seus erros."

Uma última corrente se apertou ao redor de sua cintura.

" Você é o culpado ."

Grilhões, mais pesados que os de qualquer outro pecador, surgiram, puxando Lúcifer para o chão.

Seus pés afundaram na terra.

Eva se aproximou e, olhando diretamente em seus olhos, sussurrou:

"Eu só tenho um pedido..."

Ela sorriu.

"Diabo..."

Os grilhões estremeceram.

"Vá para o inferno."

E então—

O solo se abriu.

As palavras foram como um gatilho, e todas as correntes puxaram seus prisioneiros para baixo.

A terra engoliu seus corpos, os levantando para suas prisões.

Para os seus infernos.

 

 

 

 

Notes:

Aviso de Direitos Autorais – Música

Título: You Better Listen Up - Dolores Alternate Universe Song

Música original por: ‪@MilkyyMelodies‬

A versão cantada por Eva foi baseada na música original, disponível em:
🔗 YouTube - ZiLGmJw_8uc

Além disso, utilizei o aplicativo AI Music - Music Generator para criar a melodia:
🔗 Google Play - AI Music

Letra da Música:

[Verso 1]
Fui quieta e silenciosa, sempre nas sombras
Ouvi seus comandos sem questionar
Agora é hora de gritar, tomar meu lugar
Usei minha vida pra corrigir meus erros
Sorrindo e sempre fingindo, enquanto a dor me consumia
Fingindo que não via a decepção em seus olhos
Mas agora, é hora de você ouvir!

[Refrão]
Porque eu nunca disse uma palavra
Agora, É MELHOR VOCÊ ME OUVIR!
Está alto o suficiente?
Ninguém mais falará de mim
Ouçam bem, não há mais mentiras
Minha voz ecoa agora, vai doer
Vocês conseguem sentir a dor dessas almas??

[Verso 2]
Está alto o suficiente?
Chegou o momento de se calarem
E de ouvir o que foi abafado
Está na hora de vocês ouvirem suas vozes
Eles ainda te amam, lá no alto
Mesmo que tenha os traído, os machucado
Deixando marcas e cicatrizes
Mas eu sofri em silêncio

[Pré-refrão]
Você obteve tudo sem pagar o preço
Sua sede de poder não tem fim
E quanto a mim? O que restou?
Você nunca quis saber o que eu almejava
Minha voz não importava, eu era invisível
Viu nosso amor e o ignorou sem pena!

[Refrão]
É melhor vocês ouvirem!
Eu nunca disse uma palavra
Agora, É MELHOR ESCUTAR!
Está alto o suficiente?
Porque todos saberão
Ouçam bem, todos saberão
Ouçam, conseguem ouvir as vozes?
Das alturas, os clamores se levantam
Está alto o suficiente?

[Ponte]
Eu não vou mais me calar, agora é hora de ouvir!
Vocês fecharam os olhos, fizeram vista grossa
Era sua obrigação nos proteger
Como ousam silenciar o nosso sofrimento?
Éramos apenas crianças sob seu olhar
Eu provoquei tudo, reconheço meu erro
Mas o tempo de pagar meus pecados já se foi
E agora, a justiça cai sobre todos no inferno!

Links para a música 🔗
https://drive.google.com/file/d/1eh26cLvlokf4dYQTB6i9_9KsRAP06RHL/view?usp=drivesdk

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