Work Text:
Chanyeol? “Ah… é um colega de classe.”
Disse isso para algumas pessoas nas últimas semanas, quando curiosamente questionaram de onde se conheciam. Kyungsoo de fato não possuía nenhuma explicação melhor, mas naquele intervalo comum, sob a luz abundante do sol, de orelhas enterradas no tecido fofo da jaqueta jeans para espantar o frio, ele ouvia o burburinho das conversas da turma do 5° período de Fotografia e notava que estava mentindo sobre isso, ao menos em algum grau.
Com naturalidade — e certamente não pela primeira vez — o estranho/conhecido se aproximou.
Chanyeol tinha os lábios comprimidos timidamente e dedos tão grandes que a câmera parecia insegura entre eles. Não foram ergonomicamente pensadas para homens altos e fora do padrão. Sentindo os olhares curiosos acompanhando tudo, Kyungsoo encarou sua abordagem calmamente.
“Me dá uma foto?”
Era um pedido amigável. Kyungsoo deu de ombros, pensando, hesitantemente: por que não? Ele é simpático. Sua mente, no entanto, também elencou alguns contras. Vergonha de sair feio. Também não era bom em fazer poses, e Jongin… Jongin era namorado dele. E Jongin era amigo de Minseok. E Kyungsoo e Minseok… Hm.
Mas Chanyeol aceitou o seu gesto como um sim, levantou a câmera e clicou uma vez só. Deixou ver que tinha saído com a cara amarrada e a luz incidindo fortemente contra a lente. O resto, um borrão interessante.
“Fiquei uma merda…”
“Nunca fica.” Chanyeol se apressou tanto para desfazer aquela pressuposição que quase o cortou no meio da frase. “É só olhar com carinho.”
Ergueu a câmera em um “obrigado” e se foi, seus passos individualmente incertos. Quando Kyungsoo olhou ao redor, sentindo a pele formigar, procurou até encontrar o desdém no rosto de Minseok. Nojo. Hm. Que se fodesse.
Por outro lado, a curiosidade sobre o que havia entre os dois pareceu devidamente justificada: Chanyeol tinha um gosto particular pela ideia de capturar Kyungsoo com a câmera.
Notou que ele tirava uma ou duas fotos suas por dia, pouco discretas. De surpresa. Nunca sabia quando iria acontecer. Por vezes na biblioteca, enquanto se sentava na mesa e folheava uma revista. Por vezes, nos corredores, quando estava encostado nos armários. No ponto, entrando no ônibus, ou no pátio, cochilando sobre o próprio pulso.
Abriu os olhos e encarou a lente. Se antes Chanyeol disfarçava, fingia que estava despretensiosamente passando por perto, dessa vez surgiu por trás da câmera e deixou o próprio coração perder uma batida. Kyungsoo quase ouviu o engasgo estúpido do órgão. Era o seu ou era o dele? Não dava para ter certeza. Piscou lentamente e pareceu uma permissão. Chanyeol enquadrou outra vez, pupilas alternando entre o trabalho e o rosto que era uma tentação para sua criatividade. Era Kyungsoo sua inspiração ou seu objeto? De todo modo, o indicador pressionou o botão e a foto aconteceu, clandestina, criminosa. Jongin estava logo atrás dele, rindo cercado de pessoas que Kyungsoo detestava.
Chanyeol costumava ser um rosto neutro, hm? Acontece que agora esquentava por dentro, gravado na memória como se, naquele momento, Kyungsoo também tivesse tirado dele uma foto secreta. E ali nascia algo que não se podia revelar.
Uma vez por dia, quando pegava o som de um clique, Kyungsoo virava o rosto até achá-lo. Boca comprimida e olhos curiosos. Demonstrava a mutualidade do interesse, quebrando Chanyeol com seu repuxar tão mínimo de lábios. Era até meio patético. Outras vezes, quando Chanyeol precisava de uma foto descartável para as aulas, passou a brincar com os amigos que Kyungsoo era o único que não se importava e vinha até ele, descaradamente.
“Posso? Jongin não quer pousar.”
“Namorados não deviam ser para isso?”
Chanyeol tirava a foto mais banal do universo e olhava para ela por um segundo a mais do que deveria, depois dava as costas, bambo, precisando recuperar a respiração antes de retornar a Jongin.
Chanyeol deixava a tela digital mediar a relação entre os dois.
Porque Chanyeol queria olhá-lo até cansar.
Olhá-lo até dormir.
Vigiado por alguém que já tinha, e que era a estabilidade da sua vida sem graça, ele se contentava em olhar para suas fotos, não é? Kyungsoo sabia. Estava escrito naquele rosto amável, sonolento, que dava vontade de enterrar o nariz e acariciar as bochechas em beijos. Chanyeol provavelmente olhava suas fotos à noite até gozar.
Se Jongin não fosse uma certeza que segurava com as duas mãos, uma que não largaria em favor daquela outra atração transgressora, Chanyeol provavelmente tentaria a sorte consigo um dia. Em vez disso, era recebido de volta por uma mão firme ao redor da cintura e um sussurro muito sexual nos ouvidos.
“Desculpa, da próxima pode tirar foto minha do jeito que quiser.”
Hm…
“Você devia aproveitar que o Jongin é escultural e fazer um nu artístico, ele ia concordar se fosse assim”, brincou Minseok, detestável sua voz, tal como arranhões em metal faiscando em seus tímpanos.
Kyungsoo sentiu o desdém caminhar como formigas na pele. Desdenhava, honestamente. Parecia evidente: Chanyeol, uma hora, perderia o interesse por aquele ali.
Provou a teoria. Esperou a hora mágica. Deixou-se ser encontrado sozinho na sala de aula. A câmera permaneceu pendurada no colo de Chanyeol enquanto Kyungsoo arrancava a blusa do corpo, fingindo não tê-lo visto ali para alimentar a fantasia. Segurou-a com a boca e abriu o armário.
“O que está fazendo?” Chanyeol balbuciou, feito um idiota.
“Te dando material,” sussurrou de volta, e manteve o tom de permissão. “A luz está indo embora.”
O fez se apressar como só outro estudante de fotografia saberia. Para não estragar o conceito, não olhou para a lente da câmera. Deixou-o tirar suas fotos pseudo secretas, recostado no batente. Cada clique, demorado. Sentia o coração palpitando, medo da iminência de serem pegos. Contra sua vontade abriu o armário e pegou a blusa reserva. Quando estava descendo-a pelos braços, ouviu um suspiro. Olhou-o e ele batia o indicador distraidamente no disparador — usando os olhos para lamber sua imagem dessa vez, esqueceu que gostava de tirar fotos. Notou que queria algo mais físico que papel fotográfico.
“Não tem que ir encontrá-lo?”
“Jongin?”
“Hmhm.” Colocou a mochila no ombro e guardou a própria câmera. Negava-se a conceder pelos mesmos meios a sua reciprocidade. Não tiraria fotos de Chanyeol, porque o Chanyeol que mexia com sua sanidade tinha cheiro, calor, era contido, exalava algo que fazia Kyungsoo querer fincar os dentes.
A versão estática dele jamais teria tanto apelo. Injusto pedir tanta profundidade a uma fotografia.
“É, a gente vai se encontrar… depois da aula dele.” Balbucios. “Preciso pegar fotos no quarto escuro antes.”
“Que coincidência.”
Kyungsoo o tocou no pulso. Deve ter sido o bastante para que perdesse o ritmo dos batimentos, pôde dizer pela respiração bagunçada quando chegaram à câmara. Passou primeiro, puxando-o atrás de si com jeito de escapada. Quando fecharam a porta, o segredo fez tudo pulsar. Não usariam o escuro e a reclusão para revelar fotografias, isso tilintou no ar ao redor de seus corpos. Chanyeol tentou passar timidamente por Kyungsoo, mas foi pego como que por uma planta carnívora, ele estava bem resolvido, segurando-o pelas laterais da blusa de moletom. Puxou-o para encostar o corpo no seu e quando transferiu as mãos para sua cintura, sentiram os contornos das coxas unidas formigarem.
Chanyeol era macio, foi o que sentiu nos dígitos e nos lábios. Respirações se chocaram, o beijo dormente pelo choque da incredulidade. Mais um selo e Chanyeol viu-se apoiando as mãos curiosas entre o peito de ambos, escondidas, querendo o que não podiam. A boca se partiu e deixou a língua dele entrar, quente e errada, molhada. Estava gostoso, deve ser por isso que deixou Kyungsoo guiá-lo, recostá-lo de costas para si nas bancadas, provocando com a boca a sua nuca. Os arrepios, fortes como descargas elétricas, à luz fraca faziam tudo parecer um sonho. Queimou enquanto ele explorava seu tronco por baixo das roupas e enquanto pressionava a ereção atrás, o despudor começando a cheirar como suor e saliva. E então seus pés se bagunçaram, o toque adentrou suas calças e sentiu sua pulsação, testou nas pontas dos dedos seu sexo molhado de excitação incontrolável. Kyungsoo chupou seus lóbulos, Chanyeol desistiu de fingir que não queria e ergueu a blusa, olhando a masturbação com um desejo que se esfregava na traquinagem de estar fazendo uma coisa errada.
Estava gostoso? Kyungsoo sussurrou a pergunta em seus ouvidos e o fez responder que sim. Depois seus olhos viajaram até o relógio, um movimento muito mais cruel do que estar, em si, encostando o pau no namorado dos outros. Enquanto Chanyeol se demorava em gemidos manhosos querendo gozar, Kyungsoo sentia seu ápice se aproximando a cada micromovimento do ponteiro dos minutos. Faltavam cinco, tensão prestes a explodir.
O clímax veio em forma do som metálico do trinco, a sinfonia da porta se abrindo rápida e irremediavelmente. Chanyeol tenso em seus braços, empurrando-o para longe. De repente o calor era constrangedor a ponto de vaporização. O ardor de ser pego errando. Kyungsoo abraçou-o mais forte, escondeu-o na escuridão, o fez ficar quieto com beijos nas bochechas e um sussurro.
De olhos fechados, Chanyeol não ousou descobrir se Jongin tinha visto tudo. Mas encarando com desdém imoral os olhos cheios de água, Kyungsoo fez questão de deixar bem claro que tinha tomado dele a coisinha que mais amava.
Jongin fechou a porta, deixando que Kyungsoo fizesse seu namorado relaxar outra vez em seus braços. O fez gozar, dessa vez correspondendo ao seu tesão pessoalmente. Kyungsoo tinha cansado de imaginar, enciumado, que suas fotos recebiam aquele adorável jato de sêmen em vez de suas mãos.
Ficou pulsando por um bom tempo, mesmo depois de lamber os dedos e deixar Chanyeol, suado e trêmulo, recolher as fotos que precisava da sala escura. Em sua mente, ficou registrada sua nova fotografia favorita. O enquadramento da feição humilhada de Jongin trazia uma branda e deliciosa satisfação.
Cerca de um ano atrás, um dia antes de Minseok dar com o pé na sua bunda, cimentou-se atrás da porta ouvindo Jongin dizer a ele que no mundo havia 10 bilhões de pessoas, então com certeza tinha coisa melhor pra foder do que Kyungsoo. Conselho de amigo. Kyungsoo era feio. E ele brincou de ofendê-lo até Minseok responder, despreocupado se seu namorado ouviria do outro quarto ou não, que não andava mais conseguindo ficar duro depois que Jongin o fez perceber como Kyungsoo era esquisito. Seus olhos eram… tão estranhos.
Não queria vingança, foi o que concluiu quando, na manhã seguinte, chegou mais cedo e trombou com Jongin na porta da classe. Sentiu uma adrenalina explosiva, não podia negar. As palavras cuspidas por ele ardiam como acupuntura.
"Não ouse dizer que não está usando o Chanyeol e que isso tudo é coincidência. Você sabe que você é um poço de podridão."
Kyungsoo não pensou que saberia exatamente o que dizer, mas foi um clique natural, instintivo:
"Você não me acha digno nem quando esfrego no seu focinho…" As palavras nunca foram tão doces. "Se feri seu ego, é um bônus.” Mel denso em sua língua. “Saiba que vou pegar seu namorado emprestado mais vezes."
"Eu não vou deixar." Não soou como uma ameaça, porque Jongin… vacilou. Perante seus olhos, não era mais a deidade inalcançável e absurdamente bela. Era, na verdade… Sim, um pouco feio. Principalmente depois de seus olhos incharem, afogados em humilhação.
"Fique à vontade para ser corno até ele tomar a decisão."
"Ele me ama."
"Que lindo, Jongin." Assentiu. O com escárnio era tamanho que mal se reconheceu em meio aos espinhos. "Mas acho que ele sente mais tesão por mim. O que é azar seu."
Depois de certificar-se de que ele não estava muito bem, deu meia volta decidido a pegar Chanyeol para si antes que ele fosse capaz de sentir o ambiente tenso. Encontrou-o no estacionamento, câmera erguida, como quando um cãozinho se abaixa nas patas da frente querendo brincar. Cercou-o, mas ele escapulia, cliques entre risadinhas, até que por fim agarrou-o e puxou-o para beijar a boca que ainda hesitava em tomar decisões tão compreensivamente complexas.
Baseado na maneira como os corpos se encaixavam como se pertencessem um ao outro? Deviam ficar juntos. Os dois e seus olhares que conversavam, conexões que cintilavam como se tivessem criado um novo tipo de telepatia. Encostaram os narizes e deu vontade de lembrar como era gostoso o que havia por baixo daquelas roupas todas.
Não estava se vingando. Era apenas muito irônico. Se fosse o namorado de outra pessoa… hm, talvez Kyungsoo tivesse se sentido mais culpado.
Mas aquele dia tinha amanhecido especialmente lindo. O sol se alinhara perfeitamente com a Terra, luz e sombra balanceados harmonicamente. Chanyeol focou e enquadrou um sorriso tímido, torto, íris que antecipavam o próximo beijo.
O trêmulo olhar suplicante dura somente um vislumbre. Fugaz, oscilante. Num flash, já tinha, ao mesmo tempo, se esvaído e se eternizado na captura.
Provável que Kyungsoo tenha ficado com uma aparência de merda na foto, mas ainda assim, Chanyeol sorriu.
