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I wish you were red

Summary:

“Você já quis ser ruiva? Tipo, ruiva, ruiva”

Ela achou a pergunta engraçada porque bem… ela é, então se virou para olhar pra ele.

“Você quer dizer, ruiva natural?”

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Se um dia ela reclamou de que ele quase não falava quando ela estava por perto, bem… nesse momento tudo que ela quer é voltar no tempo e força-lo a calar a boca.

Começou com ela em pé em frente ao espelho do trailer admirando o resultado do belo trabalho da maquiadora com os cabelos loiros de Beth Boland. Eram as gravações da primeira temporada e ela gostava particularmente dessa peruca. A franja lateral e leves ondas emoldurando seu rosto e o comprimento acima dos ombros…era quase como ela gostava de usar o seu próprio cabelo.

Manny observava sentado numa cadeira ao seu lado. Tinha o queixo apoiado numa das mãos e um olhar atento ao que ela estava fazendo.

A pergunta veio do nada.

“Você já quis ser ruiva? Tipo, ruiva, ruiva”

Ela achou a pergunta engraçada porque bem… ela é, então se virou para olhar pra ele.

“Você quer dizer, ruiva natural?”

“Não”, ele continuou olhando pra ela, olhar baixo e tranquilo como se tivesse fumado um baseado. “Do tipo ruiva mesmo”.

“Como assim Manny? Não entendi”

“Ruiva Christina… você sabe, os fios vermelhos e tal”, ele ajeitou a postura sentando mais ereto. Com o braço apoiado na bancada, ele brincava tamborilando os dedos.

Ela riu. Um riso nervoso. Ela não estava entendendo aonde ele queria chegar e ela começava a perder a paciência.

“Sim, já quis. Tanto que quando eu era criança eu assisti o filme Anne of Green Gables e pedi pra minha mãe pra ter o cabelo igual o da personagem. Por isso eu comecei a pintar o cabelo de RUIVO desde então” - ela fez questão de dar ênfase a última palavra e olhava pra ele quase implorando que ele entendesse o quão sem sentido aquela conversa estava sendo.

“Mas seu cabelo não é ruivo”

Ela se apoiou na mesma bancada onde ele ainda batia ritmicamente os dedos e cruzou os braços na frente dele.

“Presumo que você sabe que isso aqui é uma peruca né? Você viu colocarem em mim não faz nem meia hora”

Ele assobiou e recostou-se na cadeira, balançando a cabeça e olhando como se ELA fosse a estúpida e rindo de sua confusão - “claro que eu sei que isso é uma peruca! Eu só estou dizendo que o ruivo combinaria muito com você”

“Ok, vamos lá… que cor você ACHA que é o meu cabelo Manny?”, ela o encarou seria, as bochechas ficando vermelhas de raiva, o suor já se acumulando entre os seios, nos fios de sua nuca. Ela estava fervendo.

“Loiro”

Ela descruzou os braços e colocou sua mão em cima da dele para que ele parasse de bater. O som que ele fazia estava jogando a última pá de terra no humor dela.

“Loiro?”, ela repetiu incrédula.

“Loiro iluminado, algo assim…”

“Pelo amor de Deus Manny! Isso aqui…” - ela puxou os fios - “… é uma peruca e é loira, mas o MEU CABELO que está por baixo disso aqui…” - ela puxou outra vez a peruca - “… é RUIVO”

“Gesssuzzz! Calma… não era pra você se sentir mal em relação a não ser ruiva… foi só uma pergunta inocente… mas tá lindo seu cabelo assim, loirinha”

“Você tá chapado?! Não é possível que você esteja falando sério!” - ela bateu a mão na mesa. Sua raiva já tinha atingido um ponto máximo e seu coração palpitava - “você tá quase me fazendo tirar essa peruca para eu te mostrar que meu cabelo NUNCA foi loiro e sim ruivo, vermelho, vermelho, entendeu?” - ela se ouviu falar mais alto e mais estridente do que ela gostaria.

Ele levantou da cadeira sorrindo e ajeitou a mecha fora do lugar atrás da orelha dela.

“Achei que você era loira desde que nasceu”

“Sim, fui” - ela ficou sem jeito. Ele a estava confundindo e a proximidade dele a deixava mil vezes mais nervosa e atrapalhada. “Mas eu não sou mais, há muito tempo que pinto o cabelo da mesma cor, VERMELHO e não consigo acreditar que você nunca notou. Você tem sérios problemas de visão” - e de repente ele a viu murchar como uma flor na frente dele, muito cansada para lutar contra seus argumentos, para provar seu ponto de vista. Afinal, ela não tinha que provar algo que era um senso comum.

Ele tinha um sorriso idiota no rosto e de tão perto que estava sua respiração soprou em seus cabelos, o motivo de tanta discussão. Ele apertou a bochecha dela com os dedos.

“Eu te vejo muito bem…”

Ela não conseguia se mover no pouco espaço entre a bancada e o corpo dele.

“Uma pena que você esteja usando essa peruca” - ele continuou - “O vermelho dos seus cabelos combinaria muito bem com a cor das suas bochechas agora” - ele disse ao vê-la corar e então ela soube que ele só estava fazendo o de sempre: infernizando sua vida com suas provocações bobas!

“Eu te odeio pra caralho!” - e o empurrou pra longe.

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